quinta-feira, 28 de março de 2013

Sobre InFELICIANO e outros FUNDAMENTALISTAS!

Simples assim: ou a a gente reage AGORA a esta verdadeira invasão fundamentalistas que ataca todos os espaços do Poder Público no Brasil, ou no futuro "rezaremos por outra cartilha" que não a Constituição Federal.
Para quem ainda não entendeu eis o desenho (de domínio público na internet):


As pessoas parecem não perceber, mas o inFELICIANO é apenas uma das pedras em nossos sapatos.

Por trás dele, coupando cargos em Comissões como as de Direitos Humanos da Câmara, mas não apenas ali, uma invasão fundamentalista toma de assalto espaços importantes do Poder Público. E não falo apenas do Legislativo com seus partidos e bancadas religiosas (cadê o TSE, na hora do registro disto, gente?). Lembremos que aqui mesmo no RS terra de um "Governo Democrático e Popular"- temos uma Comissão Evangélica, ligada diretamente ao Gabinete do Governador. Nacionalmente aconteceu a segunda censura a materiais didáticos sobre orientação sexual e AIDS e, até - pasmen! - defesa de indicação de Ministro no Supremo porque é evangélico - o que não é surpresa, já que um ministro de estado assumiu sob o mesmo argumento em 2011.

Não se trata de um acaso de destino, mas de uma investida pensada e articulada para poder interferir nas principais decisões que serão tomadas de hoje para a frente. E não é uma ação no Brasil, das bancadas religiosas brasileiras, mas um ação internacional que investe pesado na doutrinação anti-gay em países da América Latina e da África, em especial, mas sem poupar países europeus e norte-americanos.

Somos a "bola da vez" da inquisição moderna, mas não somos os únicos alvos. Junto conosco negros e negras e as mulheres de uma forma geral - e com as mulheres os direitos sexuais e reprodutivos pelos quais temos lutado há décadas - estão na mira da inquisição do Século XXI.

A Comissão de Constituição e Justiça declarou Constitucional o pedido para interposição de Ação Direta de Inconstitucionalidade por entidades religiosas nacionais (prerrogativa de apenas alguns cargos nacionais, como a presidência da república, por exemplo).

Na comissão de Direitos Humanos se estuda a chamada Lei da Cura Gay, que pode - olhem o absurdo - revogar uma recomendação de um Conselho Federal (o de Psicologia) aos seus filiados.

Partidos políticos realizam cultos de uma única religião (não são encontros ecumênicos, como no passado recente) em salas das Câmaras pelo Brasil afora.

Prende-se em uma Comissão (a de DH) um ativista que denuncia a presença de um presidente RACISTA nesta Comissão - informação que é de domínio público, sem que nenhuma autoridade aja contra isso e, neste caso, quem descumpre a lei fica solto e ainda usa da "autoridade investida pelo colegiado" (no caso a Comissão de DH) para deter quem o denuncia de público.

InFELICIANO, como disse acima, é apenas uma pedra nos nossos sapatos, mas uma pedra que precisa ser removida JÁ para que possamos voltar a equilibrar a balança que separa religiosos de fundamentalistas religiosos. Se o recado não for dado agopra de forma contundente corremos o risco de que eles, os fundamentalstas, entendam que estão no caminho certo: aí, nem Deus segura!

O problema é que neste momento, apesar da mobilização pesada dos movimentos sociais (que não pode cessar!) falta-nos a voz dos partidos na Câmara: aqueles mesmos que nos rifaram por interesse político, ou nos relegaram a um segundo plano por interesse econômico. Fizeram, TODOS, sem exceção, uma grande bobagem e têm, TODOS o mesmo grau de responsabilidade pelo que está acontecendo. Assim, preciam agir de imediato, antes que não haja remédio e atolemos juntos neste mar de pensamento único, onde DIREITOS deixam de existir e HUMANOS são relegados à uma terceira categoria.

A história cobrará esta fatura: veremos que nomes estarão escritos nela e que papel terão exercido em momento tão peculiar da vida de milhares de brasileiras e brasileiros.

Ana NAIARA Malavolta - Articuladora Regional da LBL-Região Sul