sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Demonização eleitoral dos gays

17/09/2012 - 07h41
A nota da Igreja Católica contra Celso Russomanno é baseada num artigo leviano do bispo licenciado da Igreja Universal e coordenador de sua campanha, acusando os padres de estimular a distribuição do chamado "kit-gay". Essa é uma obsessão religiosa de evangélicos, católicos, islâmicos e judeus --e fonte de perversidades.
Está aí um bom momento para debater essa questão, já que, por conta das eleições municipais, entrou na agenda --e da pior forma possível. Os homossexuais são vítimas cotidianas de diferentes tipos de violência, a começar nas escolas, onde se formam ou se reforçam os preconceitos. O que devem fazer os governantes? Ficar de braços cruzados em nome dos princípios religiosos?
O sensato --mais do que sensato, a obrigação-- dos governantes é tentar ajudar os estudantes a saber conviver e respeitar a diversidade. Ou devemos levar para dentro das escolas cartilhas religiosas que estimulem a segregação?
O chamado "kit gay" foi preparado por educadores e especialistas para evitar a violência que acompanha a demonização das minorias. Mas como evangélicos fazem parte da base do governo, Dilma Rousseff ajudou a enterrar essa material. Como se sabe, o PRB apoia seu governo.
Mas como religião vira cada vez mais assunto eleitoral, com a conivência dos candidatos e dos partidos, somos obrigados a ver olhares medievais orientando políticas públicas.

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O pior é que os gays, já massacrados normalmente, não sabem nem reagir e apanham calados. Mas eles ajudam a projetar o melhor de São Paulo: ser uma cidade da diversidade.

 Gilberto Dimenstein ganhou os principais prêmios destinados a jornalistas e escritores. Integra uma incubadora de projetos de Harvard (Advanced Leadership Initiative). Desenvolve o Catraca Livre, eleito o melhor blog de cidadania em língua portuguesa pela Deutsche Welle. É morador da Vila Madalena.
 

 


 

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