segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Olga Benário: "Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo"

E no mês de fevereiro, a memória é em torno da comunista Olga Gutmann Benário nascida em 1908 na cidade alemã Munique. Sua história de vida é cruzada pela história política da Alemanha e do Brasil, países em que morou durante anos. Sua coragem e dedicação pelo justo, pelo bom e pelo melhor no mundo até hoje são recordados como exemplos e inspirações.

A judia, nascida numa família de classe média alta, recebia diariamente em sua casa na Alemanha uma presença especial como costuma brincar: a luta de classes. Seu pai, advogado e social – democrata (mas diferenciado, segundo Olga) era visitado por trabalhadores que pretendiam fazer demandas judiais contra os patrões. Já sua mãe, uma elegante dama da alta sociedade, via com o horror o comunismo.

Aos 15 anos, a alemã ingressa na militância política, através da organização juvenil do Partido Comunista Alemão (KPD), a Liga Juvenil Comunista da Alemanha (KJVD). Anos mais tarde junto do seu então namorado Otto Braun, também militante comunista, muda-se para Berlin onde se torna secretária de Agitação e Propaganda da Juventude do PC alemão. Suas intervenções eram sempre marcadas pela criatividade e diversidade de idéias para burlar a repressão policial, num período marcado pela disputa política entre o Partido Comunista Alemão e o Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores, ou simplesmente, o Partido Nazista.

Quando recebia tarefas secundárias, Olga resmungava e já denunciava que o trabalho auxiliar era delegado em função de ser mulher. Sua formação intelectual e independência também chamavam a atenção. Quanto Otto a pede em casamento, Olga nega, pois o casamento para ela representava a dependência econômica da mulher.

Ainda em Berlin, Olga é presa e ao ser libertada parte para a União Soviética. Lá passa a ser considerada importante quadro da Terceira Internacional Comunista. Em 1934, a alemã recebe a importante tarefa de participar da realização de uma Revolução Comunista no Brasil. Olga é convidada pelo IV Departamento do Estado-Maior do Exército Vermelho, órgão do serviço secreto militar da União Soviética, para acompanhar, na condição de segurança pessoal, o líder comunista Luis Carlos Prestes, que posteriormente venho a ser seu companheiro.

No Brasil, junto de Prestes e de tantas outras mulheres e homens que lutaram nas frentes de resistência ao autoritarismo do governo Vargas, organiza a Intentona Comunista. No entanto, o levante fracassa e o casal é obrigado a viver na clandestinidade. Em março de 1936 são capturados pela polícia, e Olga por ser judia, é entregue logo depois ao regime nazista de Hitler por Getúlio Vargas, grávida de sete meses. Nem mesmo os protestos pela sua libertação e a violação do Direito Marítimo internacional, por estar grávida, foram suficientes para impedir sua extradição.

Em solo alemão, é levada para Barnimstrasse, a temida prisão de mulheres da Gestapo, local em que teve sua primeira e única filha, Anita Leocádia. Em 1942, a marcante líder é enviada ao campo de extermínio de Bernburg, onde foi executada numa câmara de gás.

Um dia antes da sua morte em viagem a Bernburg, Olga escreve sua última carta marcada por ternas e esperançosas palavras para sua filha e Luis Carlos Prestes:


(...) Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão porque se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue. Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas... Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. Beijos, pela última vez.


Olga Benário, presente na caminhada!

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MORAIS, Fernando. Olga. São Paulo: Alfa-Ômega, 1985


Por Paula Cervelin Grassi

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ESTAMOS DE OLHO!

Pesquisa do Senado sobre a PLC 122/06 que criminaliza a HOMOFOBIA:

Os resultados da pesquisa de opinião realizada pelo Senado Federal a respeito da PL 122/06, que criminaliza a homofobia e outros crimes de discriminação, ainda não foram divulgados.

Isso nos preocupa um pouco, na medida em que os resultados acompanhados em tempo real pelo site, durante o mês de novembro, em vários momentos retrocederam em números reais.
Órgãos da imprensa noticiavam tentativa de invasão e possíveis alterações dos resultados (favorecendo o NÃO ao projeto).
Mandamos - novamente - mensagem ao "Alô Senado" esta semana para saber o que realmente ocorreu e ficaremos acompanhando suas respostas já que este projeto, além de interesse público geral, é de interesse específico das mulheres lésbicas de todo o país.

PESQUISA - divulgação de resultados

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02 locais e horários diferentes em Porto Alegre, dia 11-05

Feministas unificam apresentação da pesquisa!

A apresentação da pesquisa "Mulheres Brasileiras nos espaços Públicos e Privado" será apresentada para TODO O MOVIMENTO FEMINISTA num único horário em POA:
11-05, das 9 às 11h30, no Auditório da CUT-RS.

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Pela Aprovação do PLC122/06

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16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres

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Homens pelo fim da Violência contra as mulheres

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SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

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29 de Agosto de 2008
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