27/02/2012

Evento dia 05.03.2012 no CAFF (ajude a divulgar)

A Diretoria de Direitos Humanos da APERGS tem o intuito de contribuir
para a solução de problemas sociais, tendo como método agregar pessoas e
entidades. Assim sendo, entrou em contato com o Departamento de Projetos da Defensoria-Pública da União/RS com o fim que promover evento alusivo ao dia
internacional da Mulher.
No dia 05.03.2012, das 9h às 17h30min, no Centro Administrativo do Estado (CAFF
- Av. Borges de Medeiros, 1.501) tal objetivo será atingido.
As inscrições serão até o dia 04.03.2012 pelo e-mail secretaria@apergs.org.br ou, no local do evento, das 8h20min às 8h50min.
Segue a programação:

9h - Conferência de Abertura: Políticas de Promoção à Equidade de Gênero e
suas Interfaces para o Enfrentamento das Desigualdades Sociais
Luis Fujiwara – Coordenador do Programa Interagencial das Nações Unidas
Gênero, Raça e Etnia

10h - Mulheres na Política: buscando a ampliação da representatividade de
gênero na política brasileira
- Profª Drª Jussara Prá – Coodenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos
Mulher e Gênero (NIEM)/Departamento de Ciência Política (UFRGS)
- Stela Farias, Secretaria Estadual da Administração e dos Recursos
Humanos- Mediação: Léa Epping (NIEM/UFRGS)

11h - Mulheres e Saúde: o direito à saúde na perspectiva de gênero- Profª
Drª Dagmar Meyer – Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul
- Representante da ONG Maria Mulher – Organização de Mulheres Negras,
- Mediação: Defensora Pública Federal Fernanda Hahn (Ofício de Direitos
Humanos e Tutela Coletiva /DPU-RS)

*** Intervalo para almoço ***

13h30 – Mulheres na Mídia: por um outro olhar para a questão de gênero
- Jornalista Ieda Risco, Rádio Guaíba-Giancarla Brunetto Kappaun, Liga dos
Direitos Humanos/FACED/UFRGS
- Mediação:
14h30 - Lutas Sociais pelo Enfrentamento das Violências Contra a Mulher
- Telia Negrão, Coordenadora do Coletivo Feminino Plural e Relatora da
sociedade civil junto ao Comitê Cedaw- Profº Drº José Vicente Tavares dos
Santos, Coordenador do Grupo de Pesquisa Violência e Cidadania/IFCH/UFRGS
- Mediação: Procurador Jorge Terra, Diretor de Direitos Humanos da APERGS
15h30 – Sessão Especial: A Efetivação da Lei Maria da Penha: um balanço
após cinco anos de aplicação
- Carmen Hein de Campos, Coordenadora Nacional do Comitê da América Latina
e do Caribe para Defesa dos Direitos da Mulher/Brasil- Defensora Pública do
Estado Miriane Tagliari, Núcleo Especializado de Atendimento de Mulheres em
Situação de Violência Doméstica e Familiar da DPE/RS
- Delegada Nadine Anflor, Delegacia da Mulher de Porto Alegre
- Juiz de Direito Roberto Arriada Lorea, Juizado da Violência Doméstica e
Familiar contra a Mulher de Porto Alegre
- Promotor David Medina, Núcleo de Apoio ao Combate à Violência Doméstica e
Familiar contra a Mulher (MPE/RS)
- Mediação: Socióloga Laura Zacher (DPU-RS)
17h30 - Encerramento

Coordenadores: Jorge Terra (APERGS) e Laura Zacher (DPU-RS)

17/02/2012

NOTA PÚBLICA – Sobre as graves violações dos direitos humanos da população LGBT

A população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT é constantemente violentada por atos homofóbicos e, nesse cenário, o ano de 2012 já nos apresenta alguns dados que demonstram o quão distante o Brasil está de ser um território livre da homofobia.
Prova disso é a tentativa de assassinato do professor Anízio Uchôa em Altamira no Pará no dia 13 de fevereiro de 2012. Anízio foi brutalmente agredido e enterrado vivo – felizmente, o professor sobreviveu. Somados a essa tragédia, outros casos divulgados pela mídia nos últimos dias demonstram o aumento da homofobia nas diversas regiões brasileiras: a agressão sofrida por um casal de gays praticada por taxistas clandestinos no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o brutal assassinato do professor da Universidade Federal de Tocantins, Cleides Antonio Amorim, a prisão de assassino em série de travestis em Patos, na Paraíba, e o espancamento do jovem militante LGBT, Willian Santos em Porto Alegre, juntamente com outros casos de assassinatos e agressões a lésbicas, gays, travestis e transexuais.
Nesse cenário de violações, o Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT) repudia toda e qualquer forma de violência e discriminação contra a população LGBT, pois é incompatível com a construção de uma sociedade mais justa, com equidade e respeito à diversidade. O CNCD/LGBT e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) se comprometem a acompanhar a apuração dos fatos e envidar esforços não apenas para resolução desses casos, mas para evitar situações similares através de políticas públicas que enfrentem a violência e promovam os direitos dessa população e possibilitem a criminalização da homofobia no Brasil.
O CNCD/LGBT salienta a importância de denunciar ou comunicar quaisquer casos de violações de direitos humanos às autoridades locais e, principalmente, para o Disque Direitos Humanos (Disque 100), através do módulo LGBT. O conhecimento desses casos possibilitará uma articulação integrada da Ouvidoria da SDH/PR, dos Centros de Referência da SDH/PR, da Coordenação Geral de Promoção dos Direitos de LGBT, do CNCD/LGBT e dos atores locais para enfrentar essas práticas homofóbicas envolvendo os serviços de atendimento, proteção, defesa e responsabilização em Direitos Humanos disponíveis nos âmbitos municipais, estaduais e federal.
Brasília, 15 de fevereiro de 2012
 Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais
Coordenação-Geral de Promoção dos Direitos da População LGBT da SDH/PR
 
Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Combate a Discriminação - LGBT
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
( (+ 55 61) 2025.9076
* cncd@sdh.gov.br
sitio: www.direitoshumanos.gov.br

16/02/2012

Carvalho pede desculpas e evangélicos veem mal-estar resolvido

O Movimento LGBT do Brasil não pode deixar esta notícia passar em Branco.
Os religiosos fundamentalistas pensam que vão barrar os avanços sociais e de direitos humanos no Brasil, estão enganados.
 
Está na hora de a Presidente e os Ministérios definirem como pensa "O Governo".
Não dá para aceitarmos que um ministério pense de um jeito e outro de jeito contrário, antagônico.
 
Os Direitos Sexuais e Reprodutivos são ou não são pauta do governo Dilma? O Brasil vai continuar na contramão da história, com legislação mais atrasada que a maioria dos países da América Latina, ou vai deixar que a sociedade siga seu curso?
 
Existimos respeito a LAICIDADE DO ESTADO BRASILEIRO!
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Carvalho pede desculpas e evangélicos veem mal-estar resolvido

BRASÍLIA, 15 Fev (Reuters) - A controvérsia entre a Frente Parlamentar Evangélica e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, por conta de supostas declarações do ministro que provocaram mal-estar na bancada, é assunto encerrado após pedido de desculpas, afirmou nesta quarta-feira o presidente da frente, João Campos (PSDB-GO).

Carvalho participou de uma reunião com a bancada evangélica no Congresso para acalmar os ânimos, inflamados após afirmações atribuídas ao ministro. Ele teria dito, durante o Fórum Social Mundial no mês passado, em Porto Alegre, que o Estado deveria promover uma "disputa ideológica" com as igrejas evangélicas pela influência nas classes emergentes.

"(Carvalho) se retratou de forma sincera e honesta", disse Campos. "Para a Frente Parlamentar evangélica essa é uma matéria vencida", declarou o presidente a jornalistas.

Durante a reunião, Carvalho sustentou que houve uma "interpretação equivocada" de suas declarações e que seria uma "loucura" a tese de que o governo estaria se preparando para disputar espaço com as igrejas.

"Está resolvido o problema e o pedido de desculpas, de perdão, que fiz não foi pelas minhas palavras, foi pelo sentimento que elas provocaram em alguns deputados e senadores em função das interpretações que surgiram em Porto Alegre", disse o ministro após o encontro com os evangélicos, ressaltando que o governo considera as igrejas como "parceiras", principalmente no âmbito do programa de erradicação da pobreza "Brasil sem Miséria".

A ida do ministro ao Congresso para o encontro com a frente e o pedido de desculpas aparentemente interrompem a indisposição com a bancada evangélica, que nutria dúvidas a respeito da postura do governo em relação a temas polêmicos, como a legalização do aborto e de casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Carvalho levou à bancada um recado da presidente Dilma Rousseff, reiterando seu compromisso de campanha segundo o qual o governo não tomará iniciativas para modificar a legislação existente sobre o aborto e casamento entre homossexuais.

Reportagem de Maria Carolina Marcello

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE81E09Z20120215

DIscussão do Estado Laico continua

Algumas pessoas têm minimizado a discussão: por traz de todo o símbolo existe uma ideologia. No caso da religião e de seus símbolos estamos falando de tutela moral cristã sobre todas as pessoas, sejam ou não sejam religiosas.
Cada ser humano pode ter ou não ter uma crença e tem todo o direito de expressar isso de forma absolutamente emocional – passional até, por alguns comentários acima – mas o ESTADO, este não pode fazer o mesmo. As pessoas são LEIGAS, o Estado é LAICO e Constituição impõe a ambos DIREITOS e DEVERES que devem ser cumpridos, independentemente de crença.
Nossa demanda, encerrada nos símbolos espalhados pelas reparticções públicas, traz por traz conteúdo que todos conhecem e que não é, ao contrário do que temos ouvido dizer, uma tentativa de desviar do foco principal. Ela é o próprio conteúdo, se assim não fosse, não haveria tanto alarido no sentido de manter os símbolos aonde estão.

Após protocolarmos recurso no TJ-RS pedindo reconsideração da decisão que negou o primeiro pedido, buscamos informações na Assembléia Legislativa, Câmara e Executivo Estadual.
Na Assembléia a informação é de que foi dado vistas da solicitação à mesa da Câmara no dia 06 de Janeiro, com distribuição de cópias do requerimento aos líderes de bancada, mas nenhuma providência foi tomada desde então. Entraremos com novo requerimento para prosseguimento da discussão, após o carnaval.
Na Câmara o processo continua com a assessoria legislativa e no Executivo ainda não coneguios resposta.

Apesar de toda esta dificuldade uma notícia interessante de que o processo irá para o Órgão Especial do TJ nos deixa bastante felizes. Agora é nos articularmos para enchermos as galerias no dia da sessão.

Abaixo matéria do SUL21, com o Desembargador presidente do Conselho de Comunicação do TJ-RS:

“Discutir símbolos religiosos é mais importante do que parece”, diz desembargador


Felipe Prestes
Uma questão banal, desimportante, inútil. Assim muitos qualificam o debate sobre a presença de símbolos religiosos em repartições públicas, suscitado no Rio Grande do Sul por entidades de defesa dos direitos LGBT e das mulheres. O desembargador Túlio de Oliveira Martins, presidente do Conselho de Comunicação Social do TJ-RS, não concorda com esta opinião. “Normalmente não dou opinião pessoal, nestes dois anos em que sou porta-voz, porque falo pelo Tribunal todo. Neste caso, particularmente, não vou me furtar porque acho que o assunto é bem mais importante do que parece”, disse.
Leia mais:
- TJ-RS usou preâmbulo da Constituição para justificar uso de crucifixos
“Tudo o que envolve a separação entre religiões e Estado é importante. Com respeito à religião, aos agnósticos e aos ateus, o nosso princípio é de separação absoluta entre Igreja e o Estado”, completou o magistrado. Túlio de Oliveira Martins ressaltou, contudo, que o TJ-RS nunca teve intenção de ofender as pessoas com o uso de símbolos cristãos. “Instituições como o Judiciário têm certa tradição de outra época. O Judiciário nunca teve iniciativa de colocar crucifixos para ofender as pessoas, ofender quem não acredita em Deus ou professa outra religião. Mas, falando apenas em meu nome, creio que a discussão é extremamente importante”.
Segundo o desembargador, o pedido feito pela Liga Brasileira de Lésbicas (LBL) de reconsideração da decisão do TJ-RS deverá ser encaminhado ao Órgão Especial do Tribunal para ser decidido entre 13 desembargadores, depois que um deles seja sorteado relator e apresente voto.
“Fui informado de que novo pedido foi encaminhado ao presidente Marcelo (Bandeira Pereira), que certamente vai encaminhar para o Órgão Especial para ser julgado pelos desembargadores. Ainda não perguntei ao desembargador Marcelo, mas é o que normalmente é feito, quando chega este tipo de pedido ao presidente”, disse Túlio de Oliveira Martins. Ele ressaltou que as sessões do Órgão Especial são públicas. “Seria muito bom se as pessoas que provocaram o assunto fossem assistir”, afirmou.
“Assessoria apenas sugeriu que o assunto ficasse assim”
Túlio de Oliveira Martins evitou comentar o conteúdo do parecer sobre os símbolos religiosos feito por juiz assessor a pedido do então presidente do TJ-RS, Léo Lima, que deixou há poucos dias. O parecer foi criticado pela LBL, especialmente por utilizar o preâmbulo da Constituição Federal em sua argumentação.
“A assessoria apenas sugeriu que o assunto ficasse assim, porque não havia uma pressão maior, que deixasse este assunto para outra oportunidade. Final de gestão é sempre muito complicado. É um parecer jurídico, mas se exauriu ali, o assunto foi arquivado. Agora existe um pedido formal de reconsideração. Evidentemente que será tratado com todo o respeito que o assunto merece e será levado ao Órgão Especial”, disse o desembargador.


14/02/2012

Brasil para todos - perguntas e respostas sobre estado laico e retirada de símbolos religiosos de espaços públicos

Zapeando um pouquinho, achei esta página internete com detalhes sobre processos para retirada de símbolos religiosos das reparticções públicos.
Ali uma coletânea de várias perguntas e respostas... vale a pena conferir:

http://www.brasilparatodos.org/?page_id=5

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Lésbicas Feministas LBL - Região Sul - www.lblrs.blogspot.com
Acesse também: www.lblsaudelesbica.blogspot.com

12/02/2012

PETIÇÃO DO ESTADO LAICO - Liberdade Religiosa só poderá existir quando uma religião não tiver estatus de religião de estado.


Nesta segunda-feira, dia 13 de feveireio, a LBL-RS protocolará recurso à decisão do TJ-RS que negou, em processo administrativo, o pedido de retirada de símbolos religiosos das dependência do TJ e demais foros do interior do Estado.

O argumento central da decisão (ler parecer do Juiz Assessor) baseia-se no argumento de que a exposição de crucifixo não configuraria postura preconceituosa mas "sim a homenagem à religiosidade e aos valores a ela vinculados...", citando, para justificar sua decisão, o preâmbulo da constituição federal - o que nos causou bastante surpresa, já que, como todos sabemos, preâmbulo não constitui norma juridica e, portanto, não se presta a justificar decisão judicial.

Continuaremos, por todos os argumentos já expressos - leia artigo abaixo e outras matérias do blog - buscando reparar este que consideramos um erro daqueles que ocupam cargos públicos.

O país só será efetivamente tolerante e livre para expressar sua religiosidade, quando o Estado não tiver, de fato, fé oficial.

Assine a petição do ESTADO LAICO, clicando AQUI!
 
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Em novembro de 2011 suscitamos um debate que apesar de muito antigo, soou como novo na sociedade gaúcha: porguntávamos por que órgãos públicos ostentam em suas salas e rapartições, em espaços que são públicos e deveriam representar o conjunto da sociedade gaúcha, símbolos próprios da religião de origem Cristã - em especial o crucifixo, mas também temos várias capelas, com imagens de santos católicos dentro de vários órgãos públicos - desrespeitando, frontalmente, a liberade de escolha religiosa de seus cidadãos e cidadãs e em afronta direta à laicidade do Estado Brasileiro, previsto na CF?

Dizemos que este debate não é novo, pois esteve presente em todas as revisões constitucionais do Estado Brasileiro que, desde que se tornou um Estado Republicano, deixou de ser confessional, quer dizer, deixou de ter uma religião oficial, passando, às vezes de forma direta, como na constituição de 1891, ou de forma igualmente direta, mas em termos mais brandos, como na CF de 1988, a expressar o estado brasileiro como um estado LAICO, portanto, sem religião oficial.

Obviamente que, apesar da laicidade constitucionalmente expressa, a fé anteriormente oficial, ou seja, a fé Católica, continuou tendo influência política e social de destaque no Brasil, afinal, fomos - e continuamos sendo - colonizados e catequisados para sermos católicos e a expressão desta fé específica ocupa espaço público desde a primeira missa rezada em praias Brasileiras.

Isso não pode, de qualquer forma, ser justificativa para que símbolos religiosos reforcem, dentro de espaços do poder público, em especial nas Câmaras Legislativas de todos os níveis, nos Tribunais e salas de audiências e nas escolas, onde nossos filhos e filhas são educados - e onde deveriam ser educados para a diversidade religiosa - a expressão de uma única moral religiosa e que esta tenha influência sobre a decisão do "estado" nas demandas sociais.

A presença do símbolo religios, de qualquer tipo, indica ao cidadão que recorre a estas reparticões, que aquele órgão respeita, traduz e referenda, uma forma de pensar religioso, que dita uma conduta social e impõe, em muitos momentos, uma moral coletiva que exclue aqueles que dela se desviam. Um exemplo? Os homossexuais, os ateus, os agnósticos, cuja conduta é repreendida pela moral cristã.

Como podem estes cidadãos e cidadãs sentirem-se amparados nas Câmaras Legislativas, diante do rechaço das bancadas religiosas ao avanço da PLC 122/06 - que criminaliza a homofobia - quando sobre a cabeça dos legisladores paira o crucifixo cristão, reforçando o discurso do pecado e da punição, bradado pelos deputados das bancadas evangélicas e católica?

Como podem as crianças educadas nas religiões de matriz africana se sentirem incluídas nas escolas, quando têm de rezar pela bíblica cristã, comemorando seus dias santos, e, muitas vezes, escondendo as cerimônias que presenciam dentro das casas de suas famílias para não serem ridicularizadas pelos colegas de classe - e não raro, por professores de ensino religioso?

Como podemos nós, lésbicas e bissexuais, travestis, gays e trasnsexuais nos sentirmos amparadas pelo estado gaúcho, pelo judiciário gaúcho, pelas câmaras de vereadores espalhadas pelas cidades gaúchas, quando símbolos da religião católica, representada pelo Papa, que condena a homossexualidade e publica e republica incíclicas sobre o tema a cada ano, nos chamando de pecadores e pacadoras, nos recebem nas Câmaras, nas repartições, nas delegacias, nos tribunais, toda vez que a eles recorremos em função da violação de um direito ou da negação de outro?

Como podemos inferir neutralidade do julgador, de quem se exige legalmente neutralidade partidária, dentre outras, se ele está sujeitado ao símbolo da fé cristã no tribunal em que profere a sentença, mesmo que não seja cristão, como, de fato, ocorre em muitas comarcas?

Claro que por tras do pedido de retirada dos símbolos religiosos das repartições se encerra uma demanda política, que diz respeito a direitos humanos e ao tipo de sociedade que queremos ver avançar no estado Brasileiro. Assim como na defesa de sua permanência também se encerra disputa da mesma ordem.

O que não podemos negar é que tal disputa, no presente momento jurídico, está resolvida no artigo 19 da CF, exigindo que se respeite o que o legislador definiu, através de histórica Constituinte que referendou a CF-1988. O Estado é laico, não tem fé, não professa crença que não no direito que deve, este sim, ser sua doutrina e regra, da qual não pode prescindir ou transigir, independentemente da crença de quem ocupa a função de estado naquele momento.

Ainda que a CF, em seu preâmbulo, fale "sobre a proteção de Deus", o preâmbulo não é norma, e foi assim colocado  porque Ulisses Guimarães era católico praticante e, usurpando o direito público, usou de sua convicação pessoal para assim escrever, como fazem todos os que, detentores de cargos públicos, penduram crucifixos (sim, porque eles não foram parar lá por acaso, ou por intervenção divina, sendo a mão - ou a caneta, em alguns atos oficiais - de um mortal o responsável por isso).

Nesta segunda-feira, continuaremos fazendo este debate jurídico, desta vez através de recurso encaminhado ao TJ-RS, em função de sua decisão negando nosso pedido feito em novembro.
Contamos com o apoio e manifestação da sociedade gaúcha. Assinem a petição do estado laico, clicando no link abaixo:

CLIQUE AQUI PARA ASSINAR A PETIÇÃO DO ESTADO LAICO!

Maria da Penha: uma lei constitucional e incondicional

Maria da Penha: uma lei constitucional e incondicional

Maria Berenice Dias
Advogada
Vice-Presidenta Nacional do IBDFAM
www.direitohomoafetivo.com.br
www.mariaberenice.com.br
www.mbdias.com.br



O STF[1] ao reconhecer a constitucionalidade da Lei Maria disse o óbvio. Os ministros ratificaram exatamente o que ela diz: que a ação penal independe de representação da vítima e não cabe ser julgada pelos Juizados Especiais.

            Somente quem tem enorme resistência de enxergar a realidade da vida pode alegar que afronta o princípio da igualdade tratar desigualmente os desiguais. Cada vez mais se reconhece a indispensabilidade da criação de leis que atendam a segmentos alvos da vulnerabilidade social. A construção de microssistemas é a moderna forma de assegurar direitos a quem merece proteção diferenciada. Não é outra a razão de existir, por exemplo, o Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto do Idoso e da Igualdade Racial. E nunca ninguém disse que estas leis seriam inconstitucionais.

            Além de afirmar sua constitucionalidade, o STF a interpretou a Lei Maria da Penha conforme a Constituição, que diz em seu artigo 226, parágrafo 8º: "O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações".

            Atentando a esta diretriz constitucional foi reafirmada a dispensa da representação da vítima quando o crime desencadeia ação penal pública incondicionada. Reconhecer a legitimidade do Ministério Público para promover a ação, ainda que a vítima desista da representação, elimina a nociva prática que vinha se instalado: intimar a vítima para ratificar a representação, procedimento de nítido caráter coercitivo e intimidatório.

A necessidade de representação foi reconhecida como um obstáculo à efetivação do princípio de respeito à dignidade da pessoa humana, pois a proteção da vítima seria incompleta e deficiente, uma violência simbólica a cláusula pétrea da República Federativa do Brasil.

Outro dispositivo da Lei Maria da Penha que foi ratificado pela Suprema Corte é o que afasta a aplicação da Lei dos Juizados Especiais (Lei 9.099/95) de todo e qualquer crime cometidos com violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da pena prevista.

O único voto discordante traduz a preocupação de alguns, de que a impossibilidade de estancar a ação penal inibiria a vítima de denunciar a violência, pois muitas vezes o registro era feito com intenção correcional. No entanto, não serve a lei a tal desiderato. Diante de um ato que configura violência física, sexual, moral, psicológica ou patrimonial cabe a busca de medida protetiva. No entanto, quando algumas dessas práticas tipificam delito que enseje o desencadeamento de ação penal pública incondicionada, não há como deixar ao exclusivo encargo da vítima a responsabilidade pela instalação da ação penal. É um ônus que não cabe ser imposto, a quem conseguiu romper a barreira do silêncio, venceu o medo e buscou a proteção estatal. Como os delitos domésticos não podem ser considerados de pequeno potencial ofensivo, impositivo que a tutela assegurada pela Lei se torne efetiva, cabendo ao agente ministerial assumir a ação penal.

Como a decisão foi proferida em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade, tem caráter vinculante e eficácia contra todos, ninguém - nem a Justiça e nem qualquer órgão da administração pública federal, estadual ou municipal podem deixar de respeitá-la, sob pena de sujeitar-se a procedimento de reclamação, perante o STF que poderá anular o ato administrativo ou cassar a decisão judicial que afronte o decidido.

Mais uma vez a Corte Maior da Justiça deste país comprovou sua magnitude e enorme sensibilidade, ao impor verdadeira correção de rumos à Lei que logrou revelar uma realidade que todos insistiam em não ver: que a violência contra mulheres é o crime mais recorrente e o Estado não pode ser cúmplice da impunidade.

[1] Ação Direta de Constitucionalidade - ADI 19-3/610, proposta pelo Presidente da República, por meio do Advogado Geral da União, quanto aos artigos 1º, 33 e 41 e Ação Direta Constitucionalidade de Inconstitucionalidade - ADI 4424, intentada pela Procuradoria-Geral da República quanto aos artigos 12, inciso I; 16; e 41, todos  da Lei 11.340/2006.



Mais uma importante decisão para ser comemorada pelas mulheres - e por toda a população - brasileira. Estaremos de olho no cumprimento da Lei Maria da penha contra todos que agridem e vitimizam as mulheres.

"Te cuida, te cuida, seu machista: a Lei maria da Penha, está na mão das feministas!"

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Para acalmar evangélicos, Dilma enquadra nova ministra

http://www.feminismo.org.br/livre/index.php?option=com_content&view=article&id=99992518:para-acalmar-evangelicos-dilma-enquadra-nova-ministra-&catid=138:executivolegislativojudiciario&Itemid=545

Sáb, 11 de Fevereiro de 2012 07:17 Administradora
Fala da presidente buscou deixar claro que convicções pessoais em relação ao aborto devem se subordinar, agora, às políticas de governo


AGÊNCIA ESTADO

A presidente Dilma Rousseff aproveitou a cerimônia de posse da nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, para enquadrá-la publicamente e deixar claro o recado de que convicções pessoais devem se subordinar, agora, às políticas de governo. Foi uma forma de evitar mais polêmica e acalmar os ânimos da bancada religiosa no Congresso Nacional, que já preparou a artilharia contra Eleonora por conta de declarações sobre aborto.

"Tenho certeza, que meu governo ganha hoje uma lutadora incansável e inquebrantável pelos direitos das mulheres. Uma feminista que respeitará seus ideais, mas que vai atuar segundo as diretrizes do governo em todos os temas sobre os quais terá atribuição", discursou Dilma. A numerosa plateia, que até então era só aplausos, silenciou-se com a fala de Dilma.

Em recentes declarações, Eleonora disse que considera o aborto uma questão de saúde pública, assim como o crack e outras drogas - para ela, esse assunto não é uma questão ideológica. Antes da posse, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) convocou pelo Twitter que a bancada de evangélicos se unisse "para combater a abortista que nomearam ministra".

O aborto volta à agenda do Palácio do Planaltoapós assombrar a campanha de Dilma pela presidência da República, em 2010. Pressionada por religiosos, a então candidata chegou a assinar carta em que dizia ser pessoalmente contra o aborto, além de defender a manutenção da legislação atual sobre o assunto.

Nesta sexta, Eleonora aproveitou o discurso de posse para criticar a disseminação de "padrão sexista" em salas de aula, programas de entretenimento e serviços públicos de saúde. "Não se pode aceitar que, ainda hoje, quando temos uma mulher no mais alto cargo do executivo brasileiro, mulheres sejam vistas como meros objetos sexuais, que morram durante a gravidez, que tenham seus direitos reprodutivos e sexuais desrespeitados", afirmou.

A socióloga assume a pasta no lugar de Iriny Lopes, que retorna à Câmara dos Deputados e deve disputar a Prefeitura de Vitória (ES) em outubro. Antes dela, o petista Fernando Haddad deixou o Ministério da Educação para tocar a campanha pela Prefeitura de São Paulo.

"Eu considero que eu escolhi a Eleonora por vários motivos, mas, sobretudo, pelo conjunto da obra", disse Dilma. "Tenho absoluta certeza que a Eleonora é capaz de assegurar, dentro da diversidade que é o nosso país, que todas as situações sejam consideradas, porque, quando nós assumimos o governo, nós governamos para todos os brasileiros e brasileiras, sem distinções políticas, religiosas ou de qualquer outra ordem", prosseguiu a presidente, em outro aceno para acalmar evangélicos e católicos.

Evangélicos pedem demissão de ministra "abortista"

Na tentativa de acalmar a bancada, uma nota do ministro foi lida no plenário da Câmara. Além disso, Carvalho, católico militante, propôs uma reunião com os parlamentares evangélicos

10/02/2012 | 10:26 | AGÊNCIA ESTADO

A ministra de Eleonora Menicucci toma posse nesta sexta na Secretaria de Políticas para as Mulheres debaixo de ataques da bancada evangélica no Congresso, quase toda abrigada na base aliada. As posições públicas da ministra a favor do aborto junto com declarações do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, no Fórum Social, no final do mês passado, acenderam a revolta nos parlamentares evangélicos. Na tentativa de acalmar a bancada, uma nota do ministro foi lida no plenário da Câmara. Além disso, Carvalho, católico militante, propôs uma reunião com os parlamentares evangélicos.

De forma contundente, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) convocou os evangélicos a combaterem a nova ministra. "Não se iludam, a bancada de evangélicos se unirá não só para expressar a repulsa por essas declarações (de Gilberto Carvalho), assim como para combater a abortista que nomearam ministra", escreveu Cunha no twitter. "Essa posse da abortista amanhã (hoje) é sintomática para todos nós e devemos mostrar de forma contundente a nossa revolta. Aborto não. Aliás, quando a gente lê várias declarações dessa nova ministra, ela está no lugar e na época errada, devia estar em Sodoma e Gomorra", completou o deputado.

Professora e socióloga, Eleonora Menicucci declarou em entrevistas, assim que foi escolhida para o cargo pela presidente Dilma Rousseff, que considera a discussão do aborto no Brasil como uma questão de saúde pública, como o crack e outras drogas, a dengue o HIV e todas as doenças infectocontagiosas. Para ela, aborto não é uma questão ideológica.

Há dois dias, os evangélicos estão em pé de guerra com o ministro Gilberto Carvalho. "Esse governo fala tanto em discriminação, e vem agora um ministro tomar uma posição de discriminação em relação aos evangélicos, chamando-os de retrógrados e dizendo que a lei do aborto não é aprovada por causa dos evangélicos. Não é a lei do aborto, é a lei do assassinato de crianças indefesas", protestou o líder do PR, Lincoln Portela (MG). O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) também cobrou explicações do ministro e o acusou de discriminar os evangélicos.

Em nota lida pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ), evangélica o ministro afirma que suas declarações foram, divulgadas na internet de forma "distorcida e equivocada" e acabaram por motivar críticas agressivas a ele. "De maneira alguma ataquei os companheiros evangélicos. Quem conhece a minha trajetória sabe do carinho que eu tenho, do reconhecimento que eu tenho ao trabalho das Igrejas Evangélicas no país. O que eu fiz lá foi uma constatação política que, de fato, quem tem presença na periferia do Brasil, quem fala para as classes sobretudo C, D e E são as Igrejas Evangélicas e, portanto, essa presença tem que ser reconhecida, é real e efetiva", argumentou o ministro.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) atuou como bombeiro. Ele procurou evangélicos para explicar a posição do ministro e disse que houve um mal-entendido. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

http://www.feminismo.org.br/livre/index.php?option=com_content&view=article&id=99992518:para-acalmar-evangelicos-dilma-enquadra-nova-ministra-&catid=138:executivolegislativojudiciario&Itemid=545

10/02/2012

Jovem agredido na Cidade Baixa revela aumento dos crimes por homofobia no RS

Rachel Duarte

Jovem participou da Marcha de Abertura do FST 2012. Ao lado, foto registrada por ele logo após a agressão | Foto: Reprodução / Daniela Bitencourt

"Tudo que aconteceu comigo é reversível. O que permanecerá em mim é a lembrança da tragédia. Esta eu levarei para o resto da vida", disse ao Sul21 o jovem Willian dos Santos, vítima de agressão por homofobia no último domingo (5), em Porto Alegre. Com dificuldades na fala, em razão da perda de quatro dentes e deslocamento da mandíbula, por conta da violência sofrida ao sair do cinema no bairro Cidade Baixa, o estudante de 20 anos está disposto a não deixar o caso passar em branco. "O que aconteceu comigo, aconteceu com outras pessoas e pode acontecer de novo. Estou a disposição do estado para novos esclarecimentos", disse.

Com voz e jeito de rapaz muito humilde, William conta que embarca no próximo domingo (12) para Natal (RN) onde dará continuidade na faculdade de Relações Internacionais que cursava no Rio Grande do Sul. "Eu não estou indo embora por causa da agressão, já tinha esta oportunidade. Vou sentido em deixar os amigos, ainda mais nesta hora que todos estão me apoiando pelo que me aconteceu", fala. O jovem chegou a aparecer no Sul21 dias antes da agressão, por conta de sua participação na marcha de abertura do Fórum Social Temático.

Willian completou 20 anos em janeiro e nunca havia sido agredido fisicamente por homofobia | Foto: Arquivo pessoal

O coordenador do Grupo Somos, Alexandre Boer, foi procurado pelo jovem no dia da agressão e conta que ele já prestou trabalhos voluntários na ONG. "Ele é muito espontâneo, agilizado. Ele é daqueles que podemos dizer que tem o jeito de 'bichinha'. Mas para tu seres agredido no Brasil hoje nem precisa ter cara de gay. Qualquer um confundido com homossexual está apanhando na rua", comenta.

Willian mora com um amigo em Novo Hamburgo e ao deixar a última sessão do cinema no último domingo voltava sozinho em direção ao Centro de Porto Alegre. Na Rua Sarmento Leite, próximo a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), ele foi agredido verbalmente por dois homens. Os agressores, ambos jovens, um branco e outro negro, atacaram fisicamente William sem ele ter manifestado qualquer reação ao xingamento de "veado".

"Achei que fosse pela minha forma comportamental ou vestimenta. Mas, neste dia eu estava 'fantasiado de heterossexual', como eu costumo dizer. Ainda estou costurado por dentro e por fora da boca. Minha gengiva ainda sangra. Também levei quatro pontos na testa e outros no supercílio. Mas os edemas e o inchaço estão passando. O dano estético eu vou poder recuperar", afirma o jovem que saiu da sedação e voltou a comer apenas nesta quarta-feira (08)

"Ele chegou a ficar desacordado e ao retomar a consciência conseguiu ligar para amigos que o levaram ao HPS. Os homens levaram alguns bens pessoais e a bolsa dele, deixando o celular dele no bolso", conta Alexandre Boer.

Assim que retomou a consciência, Willian fez uma foto da própria face. "Eu não queria parecer nojento. Foi a forma que encontrei de mostrar para as pessoas o que tinha me acontecido. Eu tentei abordar policiais na rua naquela hora, mas, com todo o sangue que eu tinha, eles não me deram bola. Acho que pensaram que eu era um bêbado qualquer", revela.

No dia seguinte, com auxílio da ONG Somos e da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos, Willian fez o registro da ocorrência. "Levei ele no Palácio da Polícia porque lá já fazem o exame de corpo de delito. Como homofobia não é crime, o registro vai da sensibilidade da polícia. E no boletim dele o atendente percebeu que era caso de homofobia. Agrediram só o rosto dele e deixaram o telefone pra ele. Foi uma agressão gratuita", defende o coordenador da Somos.

Casos de agressões por homofobia crescem no RS

"Eu não quero que isso aconteça com outras pessoas", diz Willian | Foto: Arquivo pessoal

De acordo com a diretora estadual de Direitos Humanos, Tâmara Biolo Soares, que foi avisada do caso na noite de domingo e realizou o transporte da vítima para o registro do boletim de ocorrência, infelizmente a agressão de Willian é mais comum do que se divulga. "Vamos publicar uma nota de repúdio, com base neste episódio, contra este tipo de violência, que tem acontecido como muita frequencia em Porto Alegre e aumentado a incidência também no interior do estado", lamenta.

Segundo Tâmara, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos está atenta aos desdobramentos judiciais que serão dados ao caso de Willian. "Registramos a queixa na Ouvidoria de Segurança Pública que abriu inquérito para identificar os agressores e entrar com processo judicial no Ministério Público. Estamos acompanhando também as investigações do delegado que está com o caso", explica.

"As pessoas não fazem o tipo de registro por constrangimento, por isso que parece que só acontecem casos fora do RS. Eles muitas vezes dizem que foi só roubo. Os índices estão crescentes e assustadores e esta população está cada vez mais vulnerável, além de estar sendo impedida de usufruir o direito de ir e vir livremente. Por isso que defendemos o projeto de criminalização da homofobia", defende o coordenador da Somos, Alexandre Boer.

http://sul21.com.br/jornal/2012/02/jovem-agredido-na-cidade-baixa-revela-aumento-dos-crimes-por-homofobia-no-rs/

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Esse absurdo tem que parar! ACORDA CONGRESSO!!!

08/02/2012

2.000 comunidades na África abandonam mutilação genital feminina


A informação faz parte do relatório "Principais Resultados e Destaques 2011", feita pela UNICEF e o Fundo de População das Nações Unidas | Foto: Divulgação

Da Redação

De acordo com Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), quase 2.000 comunidades na África abandonaram a prática de mutilação genital feminina.

Esse dado faz parte do relatório "Principais Resultados e Destaques 2011" divulgado nesta segunda-feira (6), feito em conjunto pelas duas entidades e tem como objetivo argumentar nas comunidades que a prática não é uma exigência religiosa.

De acordo com o Diretor Executivo da UNFPA, Babatunde Osotimehin, "esses resultados mostram que normas sociais e práticas culturais estão mudando, e que as comunidades estão unidas para proteger os direitos femininos", disse, na comemoração do Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.

Em seu discurso, Osotimehin pediu a renovação dos compromissos para colocar um fim a essas práticas. "Com a ajuda da comunidade global, nós podemos abolir as mutilações genitais femininas em uma geração e ajudar milhões de mulheres a ter vidas mais saudáveis e plenas", defendeu.

Todo ano, perto de três milhões de garotas enfrentam o risco de mutilação. A maioria na África e em alguns países da Ásia e no Oriente Médio. As mutilações se referem a um número de práticas que envolvem decepar parte ou o todo da genitália externa feminina. A prática, reconhecida como violação dos direitos humanos, não traz benefícios à saúde, causa muitas dores, além de problemas a longo prazo.

O relatório mostra que por toda a África, mais de 18 mil comunidades já tiveram sessões de educação, quase três mil líderes religiosos declararam publicamente que a prática deveria se encerrar e mais de três mil veículos de mídia já cobriram o assunto. Antes dos resultados de 2011, outras oito mil comunidades já haviam abandonado a prática em 2010.

Com informações da ONU/BR

fonte:http://sul21.com.br/jornal/2012/02/2-000-comunidades-na-africa-abandonam-a-pratica-de-mutilacao-genital-feminina

06/02/2012

Olga Benário: "Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo"

E no mês de fevereiro, a memória é em torno da comunista Olga Gutmann Benário nascida em 1908 na cidade alemã Munique. Sua história de vida é cruzada pela história política da Alemanha e do Brasil, países em que morou durante anos. Sua coragem e dedicação pelo justo, pelo bom e pelo melhor no mundo até hoje são recordados como exemplos e inspirações.

A judia, nascida numa família de classe média alta, recebia diariamente em sua casa na Alemanha uma presença especial como costuma brincar: a luta de classes. Seu pai, advogado e social – democrata (mas diferenciado, segundo Olga) era visitado por trabalhadores que pretendiam fazer demandas judiais contra os patrões. Já sua mãe, uma elegante dama da alta sociedade, via com o horror o comunismo.

Aos 15 anos, a alemã ingressa na militância política, através da organização juvenil do Partido Comunista Alemão (KPD), a Liga Juvenil Comunista da Alemanha (KJVD). Anos mais tarde junto do seu então namorado Otto Braun, também militante comunista, muda-se para Berlin onde se torna secretária de Agitação e Propaganda da Juventude do PC alemão. Suas intervenções eram sempre marcadas pela criatividade e diversidade de idéias para burlar a repressão policial, num período marcado pela disputa política entre o Partido Comunista Alemão e o Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores, ou simplesmente, o Partido Nazista.

Quando recebia tarefas secundárias, Olga resmungava e já denunciava que o trabalho auxiliar era delegado em função de ser mulher. Sua formação intelectual e independência também chamavam a atenção. Quanto Otto a pede em casamento, Olga nega, pois o casamento para ela representava a dependência econômica da mulher.

Ainda em Berlin, Olga é presa e ao ser libertada parte para a União Soviética. Lá passa a ser considerada importante quadro da Terceira Internacional Comunista. Em 1934, a alemã recebe a importante tarefa de participar da realização de uma Revolução Comunista no Brasil. Olga é convidada pelo IV Departamento do Estado-Maior do Exército Vermelho, órgão do serviço secreto militar da União Soviética, para acompanhar, na condição de segurança pessoal, o líder comunista Luis Carlos Prestes, que posteriormente venho a ser seu companheiro.

No Brasil, junto de Prestes e de tantas outras mulheres e homens que lutaram nas frentes de resistência ao autoritarismo do governo Vargas, organiza a Intentona Comunista. No entanto, o levante fracassa e o casal é obrigado a viver na clandestinidade. Em março de 1936 são capturados pela polícia, e Olga por ser judia, é entregue logo depois ao regime nazista de Hitler por Getúlio Vargas, grávida de sete meses. Nem mesmo os protestos pela sua libertação e a violação do Direito Marítimo internacional, por estar grávida, foram suficientes para impedir sua extradição.

Em solo alemão, é levada para Barnimstrasse, a temida prisão de mulheres da Gestapo, local em que teve sua primeira e única filha, Anita Leocádia. Em 1942, a marcante líder é enviada ao campo de extermínio de Bernburg, onde foi executada numa câmara de gás.

Um dia antes da sua morte em viagem a Bernburg, Olga escreve sua última carta marcada por ternas e esperançosas palavras para sua filha e Luis Carlos Prestes:


(...) Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão porque se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue. Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas... Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. Beijos, pela última vez.


Olga Benário, presente na caminhada!

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MORAIS, Fernando. Olga. São Paulo: Alfa-Ômega, 1985


Por Paula Cervelin Grassi

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Pedidos de proteção à mulheres esbarram na morosidade

Proteção do estado

Pedidos de proteção à mulheres esbarram na morosidade. A quantidade de processos nas prateleiras das varas criminais responsáveis pelo julgamento dos casos envolvendo crimes contra mulheres ilustra a dificuldade do Poder Judiciário em atender a demanda das vítimas. Em 2011, chegaram até as comarcas mineiras 31.504 pedidos por medidas protetivas relacionados à Lei Maria da Penha e, desse total, apenas um quarto foi efetivamente julgado. Das ações analisadas, 5.709 foram concedidas, o equivalente a 18% do total dos pedidos feitos à Justiça mineira. Segundo balanço do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, até o ano passado, mais de 45 mil processos com pedidos de proteção no estado estavam à espera de uma definição da Justiça. As medidas vão desde impedir a aproximação de agressores das vítimas até a prisão dos acusados. As informações são do jornal Estado de Minas.

Apenas em Nova Lima, cidade na qual a procuradora da Advocacia Geral da União Ana Alice Moreira Melo foi assassinada na madrugada de ontem, foram registrados 155 pedidos por medidas protetivas em 2011. O ritmo de pedidos na cidade continua acelerado. Somente nos dias 31 de janeiro e 1º deste mês (terça e quarta-feira), sete casos foram analisados pelo juiz Juarez Morais de Azevedo, de Nova Lima. Do total, dois foram concedidos e dois chegaram a um acordo. Em outros dois, as partes não compareceram e em um houve uma revisão da sentença anterior, dessa vez inocentando o acusado.

Em Belo Horizonte, dois juízes são responsáveis pelas varas criminais que atendem casos envolvendo violência contra mulheres, que recebem por dia mais de 50 processos. Um deles, Nilseu Buarque de Lima, admite dificuldades e cobra mais estrutura. "Precisamos criar mais varas e aumentar o número de servidores para dar maior fluidez a todos esses processos", diz. "Enfrentamos um problema operacional, com uma média anual de 43 mil processos para dois juizes e somente 10 servidores. O número vem aumentando desde a criação das varas e é preciso acompanhar essa demanda", acrescenta o juiz.

"Loucura"
Sobre o caso de Ana Alice Moreira Melo, o juiz lamentou. "Se foi concedida a medida protetiva, juridicamente ela (a vítima) está amparada. Mas como é que você evita que um camarada cometa uma loucura dessas?", perguntou. Segundo ele, os principais problemas para garantir agilidade ao processo estão nas fases que antecedem as decisões dos magistrados. Do momento em que a vítima registra a ocorrência até que o pedido chegue aos juiízes, ele diz, muitos trâmites dificultam o caráter emergencial dos pedidos.

"A lei diz que a mulher vítima de agressões ou ameaças deve registrar a queixa nas delegacias e que a autoridade policial precisa oficializar o procedimento e enviar à Justiça. Ao chegar para o juiz, é preciso decidir a questão em 48 horas. O problema é que, até chegar ao juiz, as 48 horas de urgência se dispersam na tramitação", lamenta Nilseu.

O juiz ressalta que já houve avanço na legislação brasileira desde a criação da Lei Maria da Penha, em 2006, mas que as dificuldades estruturais são os maiores desafios para que as regras sejam aplicadas e passe a reduzir efetivamente os casos de violência contra mulheres. "Essa lei pegou e veio para ficar de forma marcante na história do Brasil. Foi uma ação benéfica para resgatar a dignidade e quebrar o silêncio da mulher, mas o ciclo de violência ainda é muito grande. Damos baixa em 500 processos e chegam novos 700", diz Nilseu.

Além dos pedidos por medidas protetivas, tramitam no TJ-MG mais de 57 mil ações penais envolvendo violência contra mulheres. No ano passado, as comarcas do estado receberam 29.888 processos, dos quais 13.880 foram julgados até dezembro. Do total, APENAS 178 ações penais foram abertas.

Revista Consultor Jurídico, 5 de fevereiro de 2012

01/02/2012

Muitas atividades no Fórum Social Temático

A LBL (RS e Nacional) participou, através da atuaçõ militantes de representantes de vários estados em diversas ações no FST 2012.

Foi um momento importante de trocarmos energia e compartilharmos impressões com compas do Brasil inteiro, de muitos movimentos.
Através da hospedagem solidária, colocamos diversas compas em residências de outras tantas aqui do sul, aprofundando a convivência e a prática da solidariedade feminsta.
Abaixo vídeo de abertura (extraído do conexões globais) e algumas fotos de atividades realizadas pela LBL: