29/04/2011

IBGE - Censo 2010 contabiliza mais de 60 mil casais homossexuais

Censo 2010 contabiliza mais de 60 mil casais homossexuais

Resultados preliminares foram divulgados nesta sexta-feira (29), pelo IBGE.
País tem 37,5 milhões de pessoas que vivem com cônjuges do sexo oposto.

 

Tabela cônjuges Censo 2010 (Foto: Arte/G1)

O Brasil tem mais de 60 mil casais homossexuais, segundo dados preliminares do Censo Demográfico 2010, divulgados nesta sexta-feira (29). Essa foi a primeira edição do recenseamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a contabilizar a população residente com cônjuges do mesmo sexo.

Ainda de acordo com os resultados preliminares, 37.487.115 pessoas vivem com cônjuges do sexo oposto.

Em números absolutos, a região com mais casais homossexuais é o Sudeste, que abriga 32.202 casais, seguida pelo Nordeste, com 12.196 casais. O Norte tem o menor número de casais do mesmo sexo: 3.429, seguido do Centro-Oeste, com 4.141. A Região Sul tem pouco mais de 8 mil casais homossexuais. Entre os estados, São Paulo é o que tem a maior quantidade de casais homossexuais (16.872) e Roraima é o que tem menos, com apenas 96 casais que se declararam homossexuais.

Nesta sexta, o IBGE também divulgou a Sinopse do Censo Demográfico 2010, que apresenta os primeiros resultados definitivos do último recenseamento. Alguns números divulgados preliminarmente em novembro de 2010 foram ajustados, a exemplo do total da população, com a inclusão de estimativas sobre a população dos domicílios considerados fechados durante a coleta de dados.

Os censos demográficos são realizados no Brasil a cada dez anos. Participaram desta edição, segundo o IBGE, cerca de 230 mil recenseadores, supervisores, agentes censitários e analistas censitários. A coleta do Censo 2010 foi realizada entre 1º de agosto e 30 de outubro de 2010.

Grau de parentesco
Dos 67,5 milhões de domicílios recenseados, mais de 57 milhões são considerados particulares e têm ao menos uma pessoa apontada como responsável pelos demais moradores da casa.

Sobre o grau de parentesco dos residentes em domicílios particulares com relação ao responsável pelo domicílio, o levantamento preliminar aponta que, 71.279.012 brasileiros são filhos ou enteados que moram com os pais; 9.123.939 são netos ou bisnetos; 12.771.453 tem outro grau de parentesco; e 1.924.250 não possuem nenhum grau de parentesco com os demais moradores do domicílio.

"Um morador de cada domicílio respondeu ao questionário e enumerou o grau de parentesco de cada morador do domicílio. Quem é o responsável, o cônjuge, o filho, o neto e demais parentescos que podem aparecer", explica a demógrafa Leila Ervatti, do IBGE.

fonte  http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/04/censo-2010-contabiliza-mais-de-60-mil-casais-homossexuais.html

28/04/2011

4° Encontro de Mulheres Estudantes da UNE!



28 de abril de 2011
4º Encontro de Mulheres Estudantes da UNE em Salvador reúne mais de 700 estudantes de todo o país

Durante o evento na Universidade Federal da Bahia (UFBA) temas como assistência estudantil, aborto e a inserção das mulheres na política foram debatidos pelas participantes que ao final redigiram a Carta das Mulheres Estudantes Brasileiras. Confira!

O 4º Encontro de Mulheres Estudantes da UNE reuniu entre os dias 21 e 24 de abril mais de 700 estudantes de todo o Brasil na Universidade Federal da Bahia (UFBA), campus Ondina em Salvador.  Com a temática "Ô abre alas que as mulheres vão passar", o 4º EME tratou das históricas bandeiras de luta do movimento estudantil tendo como enfoque as mulheres estudantes.
Durante os quatro dias de encontro, temas como assistência na universidade, aborto e a inserção das mulheres na política foram debatidos. O público feminino presente no evento reafirmou a atualidade da luta das mulheres e o compromisso pela superação do patriarcado, do machismo, do racismo, homofobia e  lutando pela garantia de autonomia e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
"A luta contra o machismo é fundamental e atual. O Brasil ainda está distante de ser uma sociedade igual para mulheres e homens. Queremos mulheres na política e no poder! Chega de machismo na universidade! Viva a luta feminista!" afirmou o presidente da UNE Augusto Chagas que participou cerimônia de abertura do 4º EME.
No encontro foi defendida a necessidade da UNE incorporar em seu debate a reforma política e agregar entre suas principais tarefas estudantis a luta por creches universitárias em tempo integral, a destinação de 30% de cotas para as mulheres na diretoria executiva e no pleno da entidade e a luta pela legalização do aborto.


Reforma Política: mais mulheres nos espaços de decisão!
A luta por participação política das mulheres é a luta cotidiana das mulheres que foram historicamente colocadas nos espaços privados. A eleição da primeira Presidenta da República apresenta um novo cenário para a participação das mulheres nos espaços de poder. A reforma política em debate no Senado é de fundamental importância para garantir que as mulheres possam estar inseridas nos processos eleitorais de forma igualitária aos homens. Nesse sentido, as mulheres estudantes defendem a lista fechada com alternância de gênero e financiamento público de campanha que possibilitarão um avanço para o aumento da participação política das mulheres nos espaços de poder.

Campanha pela Legalização do Aborto
O 4º EME continuou reafirmando a defesa da legalização do aborto, como uma importante luta das mulheres. A Campanha pela Legalização do Aborto, aprovada em 2007, foi um importante instrumento para dar visibilidade ao debate e denunciar a opressão e o preconceito vividos pelas mulheres com a criminalização da prática do aborto. Os números do aborto no Brasil são alarmantes e são as jovens mulheres e negras que mais morrem em decorrência dessa ilegalidade. A partir da campanha, percebeu-se a necessidade do assunto ser abordado constantemente no movimento estudantil.  Portanto, as mulheres estudantes da UNE continuam defendendo a legalização do aborto e afirmando o direito das mulheres de decidirem sobre seus suas vidas e corpos.
Confira no Flickr da UNE, fotos das etapas estaduais e as imagens oficiais do 4º Encontro de Mulheres da UNE:http://migre.me/4nIwM 


Carta das Mulheres Estudantes Brasileiras
Nós, mulheres reunidas no IV Encontro de Mulheres Estudantes da UNE, nos dias 21 e 24 de abril de 2011, afirmamos a atualidade da luta das mulheres e reafirmamos nosso compromisso com a luta pela superação do patriarcado, do machismo, do racismo e pela garantia da nossa autonomia e para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

As Mulheres transformando a universidade
A opressão das mulheres está presente no cotidiano de suas vidas. Tal opressão se estrutura a partir do espaço privado familiar e da divisão sexual do trabalho que organiza toda a estrutura social e impõe um modelo de existência eurocêntrica. Responsabiliza a mulher pelos afazeres domésticos, relacionados à limpeza, à cozinha, ao cuidado e à assistência às crianças, aos idosos e aos doentes; impõe a desvalorização e a sub-remuneração do trabalho feminino; desresponsabilizando o Estado destas tarefas coletivas, sobrecarregando as mulheres através da exploração pelo núcleo familiar. Nesse sentido, às mulheres cabe a reprodução e cuidado da sociedade.

Por outro lado, aos homens fica a responsabilidade do trabalho de produção valorizado, excluindo a mulher da participação política em nossa sociedade. Ainda hoje, somos minoria esmagadora nos espaços de decisão da sociedade, no parlamento, no legislativo e no executivo.

A violência contra a mulher também continua sendo uma realidade cotidiana, em especial na esfera doméstica. Naturaliza-se a violência psicológica, moral e a agressão física contra as mulheres. A questão da violência contra a mulher pode ser potencializada se, além de mulher, ela for lésbica, negra, pobre, migrante e portadora de deficiência.
A violência específica contra as lésbicas pode ser manifestada nos estupros corretivos, ausência de informação e métodos de proteção contra DSTs, impossibilidade de união estável com direitos plenos, enfim, ausência de políticas públicas específicas. A falta de visibilidade das lésbicas na sociedade corrobora com este cenário de descaso e negligência. Ignorar a existência das lésbicas é cercear nosso direito de lutar por nossa emancipação.

As mulheres negras ainda são aquelas que vivem uma realidade do trabalho informal e precarizado, principalmente dentro do trabalho doméstico, onde estas são a maioria. Destacamos ainda que apesar das políticas públicas como as cotas, terem inserido a população negra nesses espaços, as mulheres negras  ainda não possuem uma participação efetiva ,tendo portanto uma menor representação nos espaços do movimento estudantil,que representa uma realidade branca e de classe média. O sentido do IV EME acontecer na cidade do Salvador-BA cumpre o papel de colocar nos espaços do M.E. a realidade das mulheres negras na agenda das mulheres estudantes, hoje estas são a parcela das mulheres que vivem abaixo da linha da pobreza e que sofrem com os abortos ilegais e inseguros, além de engrossarem as estatísticas de desemprego e subempregos.

Acompanhamos uma contra ofensiva conservadora em todo o país. Um importante exemplo é como foram tratadas as mais importantes pautas do movimento feminista no processo eleitoral de 2010: a união civil de pessoas do mesmo sexo, o casamento civil igualitário e o aborto. Este especificamente foi tratado como algo a ser criminalizado ou apenas não debatido.


Em nenhum momento a maternidade é tratada como escolha, direito da mulher e autonomia sobre o próprio corpo. No Plano Nacional de Direitos Humanos III a discussão sobre o aborto foi suprimida, ignorando que esse debate fosse tratado como uma questão de saúde pública, fruto da pressão religiosa. A defesa do Estado laico é central para o movimento feminista.

Sabemos que o fato de sermos estudantes é fruto da luta de mulheres que vieram antes de nós e conquistaram o direito das mulheres à educação. As mulheres representam hoje 55% dos estudantes universitários, mas ainda é necessário romper preconceitos e discriminações sociais que concentram as mulheres em áreas do saber relacionadas ao que é tradicionalmente considerado feminino.

Nos espaços da universidade são recorrentes o constrangimento moral e o assédio sexual contra as estudantes, em especial durante as festas e atividades de recepção às e aos estudantes ingressantes. Acontecimentos como o desfile das bixetes, o rodeio das gordas, os trotes e as piadas com apelo sexual são lamentáveis e reproduzem a concepção machista da mulher como mero objeto de desejo.

Também nas universidades, temos muitos desafios, necessitamos de uma política de assistência estudantil específica para as mães estudantes, assim como a efetivação do direito a licença-maternidade para as estas. As reivindicações pelas melhorias na assistência estudantil passam também pela luta pelo aumento de verbas na educação pública. Está em disputa os rumos do Plano Nacional de Educação em âmbito federal. A luta pelos 10% do PIB para a educação publica também é nossa, indo de encontro aos recentes cortes na educação que atende a agenda conservadora no país.

A organização permanente das estudantes é fundamental, pois é ela que garante a incorporação das bandeiras feministas na agenda política do movimento estudantil e da universidade. Se há avanços, ainda há muito por fazer: mesmo nos espaços do movimento estudantil persistem situações de machismo e opressão. Os espaços políticos ainda são compostos majoritariamente por homens, e a luta e a militância das mulheres continua sendo colocada em segundo plano.

Nesse sentido, as mulheres da UNE entendem que a universidade não está deslocada do conjunto da sociedade e que na luta contra a opressão sexista é necessária a união destas às diversas instâncias dos movimentos sociais, entre elas o movimento negro, o movimento de mulheres do campo, as mulheres lésbicas, as mulheres indígenas.
Reforma Política: mais mulheres nos espaços de decisão!

A luta por mais participação política das mulheres é pungente. Mesmo que a eleição da primeira Presidenta da República mulher, tenha tido um impacto simbólico para nossa sociedade, sabemos que isso apenas não basta para mudar a vida das mulheres. Nosso debate parte da compreensão sobre as tarefas e desafios para a luta feminista. Portanto, o debate sobre Reforma Política em curso é de fundamental importância, garantindo que o processo termine com vitórias para as mulheres. Nesse sentido, a lista fechada com alternância de gênero e financiamento público de campanha são agendas comuns que possibilitarão um avanço para o aumento da participação política das mulheres nos espaços representativos.

O tema "Ô abre alas que a mulheres vão passar" deste IV EME coloca, para nós estudantes, o desafio de afirmar a nossa passagem, e chegada efetiva, nos espaços de decisão na sociedade e nos responsabiliza pela participação na luta de aprovarmos uma reforma política inclusiva em nosso país. Tendo em vista o acúmulo que tivemos neste IV EME onde destacamos mais uma vez, nossa luta pela desnaturalização do modelo de vida que a sociedade nos impõe com as atribuições e responsabilidades consideradas femininas que servem para nos encaminhar ao espaço privado, exigimos medidas efetivas para nossa garantia nos espaços públicos valorizados que tanto lutamos. 

Para isso, é necessário que a UNE incida na discussão da reforma política de modo a defender a participação das mulheres nos espaços de decisão. Mas, também, que ela concretize na sua própria estrutura interna a participação efetiva das mulheres nos espaços de direção garantindo 30% de cotas para mulheres nas estruturas da entidade, assistência estudantil específica para as mulheres estudantes que garanta sua permanência na universidade.

Propomos a seguinte agenda feminista para a UNE no próximo período:

•         Reforma política: Mais Mulheres nos espaços de Decisão!
•         Por creches universitárias em tempo integral!
•         Cumprimento de 30% de cotas para mulheres na diretoria da UNE, na executiva e no pleno!
•         Legalização do aborto


SEM FEMINISMO NÃO HÁ SOCIALISMO!
As mulheres estudantes também lutam por:

» Garantia de creches e educação infantil em tempo integral;

» Pela criação do Plano Nacional de Assistência que contemple as casas de estudantes, que respeitem a questão de gênero e raça e as creches universitárias;

» Segurança feminina com treinamento específico 24 horas nos campi;

» Incorporação da questão de gênero nos currículos dos cursos de ensino superior;

» Educação não sexista, não racista e não homofóbica;

» Ofensiva de denúncia ao machismo na Universidade e no Movimento Estudantil;

» Fomento à produção de conhecimento sobre gênero;

» Incorporação de bandeiras do Movimento Estudantil, que afetam fortemente as mulheres, às pautas do movimento feminista, como 10% do PIB para a educação;

» 50% do Fundo Social para Educação;

» Por um PNE que inclua um recorte de gênero e raça;

» Erradicar o analfabetismo;

» Lutar pela igualdade salarial;

» Autonomia econômica das mulheres;

» Legalização do aborto;

» Fortalecer o EME entendendo ser este um espaço fundamental do Movimento estudantil;


Que as entidades do Movimento Estudantil se incorporem ao calendário unificado do Movimento Feminista:

8 de março – dia internacional de luta das mulheres

25 de maio – Dia da mulher negra latino-americana

25 de junho – dia de mobilização por uma educação não sexista

29 de agosto – dia da visibilidade lésbica

28 de setembro – dia de luta pela legalização do aborto

17 de outubro – dia de luta contra a pobreza entre as mulheres

20 de novembro – dia da consciência negra

25 de novembro – dia internacional de combate à violência contra as mulheres.

Salvador, Bahia, 24 de abril de 2011.
Da redação

27/04/2011

divulgação em POA dos resultados da pesquisa 'MULHERES BRASILEIRAS NOS ESPAÇOS PÚBLICOS E PRIVADOS"


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Divulguem nas páginas e mail-lists!

CAMPANHA: CURAS QUE MATAM

 

Um grupo de organizações da América Latina e Caribe está lançando a campanha "Curas que Matam"
Image d'illustration

No dia 17 de maio celebra-se o Dia Internacional contra a Homofobia, Lesbofobia e Transfobia, comemorando que em 1990, num feito histórico, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aceitou oficialmente a homossexualidade como uma variação natural da sexualidade humana.

Desde então, a comunidade científica internacional se opõe a todas as abordagens que consideram a homossexualidade como uma enfermidade que deva ser "curada".

O consenso médico e político também vem crescendo em todo o mundo no sentido de adotar o mesmo enfoque sobre a transexualidade.

Opondo-se a isto, algumas vozes conservadoras ainda pregam e promovem a chamada "terapia reparativa", muitas vezes com o apoio de correntes religiosas e, às vezes, inclusive como consentimento de instituições do Estado.

Estes "tratamentos" não apenas são ineficazes como também reforçam os sentimentos de culpa e a baixa auto-estima, aumentam o sofrimento psicológico e, em alguns casos extremos, levam pessoas ao suicídio. Por outro lado, ao incentivar a homofobia, lesbofobia e transfobia, incitam a discriminação, a violência e os assassinatos.

A grande campanha latinoamericana e caribenha "CURAS QUE MATAM" se opõe a qualquer terapia que pretenda "curar" a homossexualidade e a transexualidade.

EXIGIMOS que os governos observem o princípio da laicidade dos Estados latinoamericanos e caribenhos e tomem medidas concretas para combater as práticas "reparadoras" da homossexualidade e transexualidade, incluindo a interrupção de qualquer financiamento público a instituições ou indivíduos que não estejam claramente distanciados dessas práticas.

EXIGIMOS que as instituições nacionais ou locais de saúde pública retirem dos sistemas de saúde público e privado todas as pessoas que pratiquem ou promovam práticas "reparadoras" da homossexualidade e transexualidade.

INSTAMOS que doadores privados e financeiras incluam como critério para aprovação de solicitações de apoio a rejeição ao discurso de terapias "reparativas" que atentam contra os direitos humanos.

SOLICITAMOS que as autoridades religiosas condenem firmemente o uso de discursos que proponham e/ou incentivem processos de "reparação"

da homossexualidade e transexualidade, e que promovam a aceitação da diversidade sexual e de gêneros 

 .



26/04/2011

Comissão Especial da Diversidade Sexual do Conselho Federal da Ordem dos Advogados.

Recemose replicamos a mensagem com muito carinho:

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Meus todos,

Foi criada, no dia 15 de abril, criada a Comissão Especial da Diversidade Sexual do Conselho Federal da Ordem dos Advogados.
Eis a composição:
- Maria Berenice Dias (RS) - Presidenta
- Adriana Galvão Moura Abílio (SP) - Vice-Presidenta
- Jorge Marcos Freitas (RJ)
- Marcos Vinicius Torres Pereira (RJ)
- Paulo Tavares Mariante (SP)

Consultores:
- Daniel Nogueira de Albuquerque Sarmento (RJ)
- Rodrigo da Cunha Pereira (MG)
- Tereza Rodrigues Vieira (SP)

O primeiro grande desafio é a elaboração do Estatuto da Diversidade Sexual.
Conto com todos vocês para divulgarem esta bela conquista.

Um beijo,

Maria Berenice Dias


20/04/2011

Homofobia: caso Michael e o descaso legislativo

ESPAÇO VITAL DE 19.04.2011
(20.04.11)

Por Sylvia Maria Mendonça do Amaral,
Advogada (OAB/SP n. 89319)

Questiona-se muito sobre a eficácia do Projeto de Lei 122/06, que criminaliza a discriminação em relação à orientação sexual. Seria uma lei capaz de colocar fim à homofobia? Evento recente faz crer que sim, que punir a discriminação é indispensável.
 
O jogador de vôlei Michael foi ofendido por cerca de duas mil pessoas que ocupavam as arquibancadas de um ginásio em Minas Gerais, através de palavras de cunho homofóbico. Após o evento, assumiu publicamente a sua orientação sexual. Foi acionada a Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Vôlei que, por unanimidade, condenou o clube cuja torcida foi responsável pela agressão.

A decisão foi aplicar ao clube multa de R$ 50 mil pela prática de "ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem sexual".
 
Evidente que se trata de multa de baixo valor e que não será ela o fator determinante para se colocar fim à homofobia entre aqueles torcedores que sequer foram punidos diretamente. Mas, o clube que sofreu multa de R$ 50 mil, por ser primário, temeroso de que o evento se repita, vai iniciar uma campanha educativa entre os seus torcedores. Esse, sim, talvez seja o resultado positivo da condenação.
 
A discriminação não se extingue apenas com a criação de uma lei. Os homofóbicos, por certo, mesmo que sob ameaça de punição, dificilmente deixarão de lado o preconceito. Mas, pelo menos, evitar-se-á que o exteriorizem. Aliado a isso é preciso uma intensa campanha educativa que seja capaz de atingi-los de uma forma transformadora.
 
Já em relação às crianças e adolescentes o poder de transformação é maior. A melhor saída é educá-los de forma que pensem e ajam tendo em mente o direito à igualdade de todos. As crianças que convivem com homofóbicos não podem ser educadas apenas por eles, sob o risco de carregarem dentro de si o preconceito em relação à orientação sexual quando adultos.
 
Daí a necessidade da interferência da sociedade e do governo que têm a missão de mostrar-lhes que acima de todos os pensamentos deve estar o da igualdade. Educando as crianças, colabora-se para que eventos como os que envolveram Michael não voltem a acontecer. Já com aqueles para os quais a homofobia é algo que faz parte de seu caráter, restará a lei.
 
A urgência na adoção de alguma medida é patente pelos dados apresentados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), que tem como uma de suas tarefas amealhar informações para elaboração de estatística quanto às agressões praticadas contra os integrantes do segmento LGBT. Segundo o GGB, no ano passado 260 pessoas foram assassinadas em decorrência de sua orientação sexual, número que representa um crescimento de 31,3% em casos de homicídio envolvendo homossexuais, em relação ao ano de 2009.
 
O descaso do governo é tanto que sequer existem estatísticas oficiais, e os números apresentados pelo GGB, infelizmente, são menores do que os reais. Isso porque são apurados através de informações de jornais, sites e denúncias que recebem. Certamente outros inúmeros casos não integram o levantamento, que mesmo assim faz com que o Brasil continue em primeiro lugar no ranking, como país líder em homicídios movidos pela homofobia.
 
Se considerarmos que um gay tem 785% mais chances de ser assassinado no Brasil do que nos Estados Unidos, não resta a menor dúvida de que o projeto de lei 122/06 deve ser aprovado, mesmo que seja apenas como uma tentativa de nos livrar dessa liderança.

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Fotos do Encontro Estadual da LBL-RS

Site "EU SOU GAY" - grande idéia: PARTICIPE!

A idéia é bem simples: tire uma foto com a tarjeta "#EuSou Gay" e mandar para eles (projetoeusougay@gmail.com).
vale foto sozinha, com a família, o gato, no serviço, enfim.....
compre esta idéia!
http://www.projetoeusougay.wordpress.com/

Encontro Estadual e REGIONAL da LBL-RS

No último final de semana concentramos nossos esforços no Encontro Estadual da LBL.
Foram momentos ricos de construção e de socialização.

A partir das deliberações tomadas neste encontro começamos a construção da JORNADA LÉSBICA FEMINISTA 2011 - com reuniões quinzenais abertas, sempre nas sextas-feiras (começando em 06/05) no COMDIM - prefeitura velha de POA, 2o. andar.

Agradecemos a todas as companheiras que estiverem com a gente neste momento de decisão.

Agora, no final de semana de 30/04 e 01/05 reuniremos a LBL-Região Sul (composta pelos estados de PR, SC e RS). O encontro acontecerá em Viamão no RS e será fechado apenas para LBLeanas.

19/04/2011

BM e o bairro Cidade Baixa

O texto abaixo nos foi remetido por uma mãe de 03 alunos da UFRGS. Um deles, WMS, assaltado quando voltava da UFRGS às 20hs de uma quarta-feira, há cerca de 15 dias.
Como resultado do assalto ele perdeu a mochila, os óculos de grau e ficou com 14 pontos no rosto, porque tentou fugir do assaltante, que o agrediu com cacos de vidro.
jovem e mãe prestaram queixa na delegacia da região, onde os policiais informaram que não havia nada a fazer, já que são poucos policiais na área.
Enquanto isso, na Lima e Silva, uma operação de guerra é montada há dois finais de semana (dois domingos seguidos), com constrangimento a jovens que vão a um local repleto de bares, para beber, socializar e se divertir.
Leia o texto enviado pela mãe para alguns DCEs da UFRGS com cópia para a LBL:
Tendo conhecimento de inúmeros assaltos em torno da UFRGS e preocupados com a segurança dos estudantes universitários em suas idas e vindas pelo bairro BOM FIM e imediações, bem como do resto da população, estamos solicitando a este órgão levantamento de número de estudantes e funcionários já assaltados nas imediações, que acreditamos ser bastante alto devido as informações dentro de nossas relações, para que possamos requerer juntos as autoridades,  através de um abaixo assinado, ou das ações que se fizerem necessárias, a devida segurança, especialmente em turnos de entrada e saída de aula a noite, já que grande parte dos alunos moram em torno da Universidade e imediações.
Jornais locais nos mostram através de reportagens que ações locais estão sendo tomadas pelas autoridades em momentos e locais onde a prática de assaltos não se mostram em índice tão alto, pelo simples fato de moradores e empresários de ruas com maiores concentrações de bares, estarem reclamando do barulho e movimentação de diversão juvenis, enquanto que locais em que jovens estudam e trabalham estão totalmente desguarnecidos pela segurança e os transeuntes sujeitos não apenas a terem seus pertences roubados, como tb são agredidos e machucados por bandidos e assaltantes que se atuam e se escondem no Parque Farroupilha. Precisamos fazer algo a respeito, pois TEMOS DIREITO A SEGURANÇA de andar pelas praças e ruas de NOSSA cidade e, vermos nossos filhos irem e voltarem de seus trabalhos e cursos, sem correrem o risco de serems assaltados, agredidos ou mesmo mortos." 
Esperamos os dados levantados pelos diretórios de estudantes para publicizarmos nesta lista.

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15/04/2011

Encontro Estadual da LBL-RS acontece amanhã

A partir das 09 horas, no Sindicado dos Bancário, Rua general Câmara, 424 a LBL-Rs reúne lésbicas e bi-sexuais numa roda de diálogos em torno da violência contra as mulheres, sáude lésbica e economia popular solidária.
Amnhã será o dia de conversarmos com mulheres que não são da Liga. No domingo reunião de organização interna.

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14/04/2011

Clube mineiro é multado por ofensa de torcida


O clube Sada/Cruzeiro foi condenado a pagar uma multa no valor de R$ 50 mil por homofobia de sua torcida contra o meio de rede Michael, do Vôlei Futuro, durante partida na Superliga Masculina de Vôlei. A decisão unânime é Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Vôlei, desta quarta-feira (13/4). A notícia é do site Justiça Desportiva.
Denunciado por "praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem sexual", como prevê o artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, o clube mineiro poderia ser multado em até R$ 100 mil. E só não o foi em função de sua primariedade, sem outros condenações anteriores.
O episódio ocorreu na primeira partida da semifinal da competição. Feita em Contagem (MG), o Ginásio Poliesportivo do Riacho estava lotado no momento da partida e segundo o meia a torcida gritou várias vezes ofendendo o atleta.
"No jogo em Contagem eram cerca de duas mil pessoas, o ginásio estava super lotado e todos me chamando de 'bicha', 'gay' e outras ofensas. Me senti ofendido e constrangido pelo ocorrido; não eram só alguns torcedores de torcida de futebol, eram crianças, mulheres, o ginásio inteiro gritando e me ofendendo", comentou Michael na época. O Vôlei Futuro acabou derrotado por 3 sets a 2.
No julgamento, o advogado do Sada/Cruzeiro, Henrique Saliba, afirmou que não houve qualquer ato discriminatório por parte da torcida do clube mineiro, já que entendia que a torcida não tinha conhecimento da opção sexual do atleta. "O Michael não é um atleta conhecido nacionalmente, e por isso não era de domínio público a sua opção sexual. Isso só ocorreu depois do julgamento, quando o Michael deu uma entrevista assumindo ser homosexual", argumentou.
O relator Luiz Tavares Correa, primeiro a votar, anunciou o pedido de condenação do clube mineiro em R$ 50 mil. Os demais auditores, Fernando Ribeiro e Renata Mansur, além do presidente da comissão, Wanderlei Rebello, também acompanharam o voto e decidiram o processo por unanimidade. Ainda cabe o Sada/Cruzeiro recorrer desta punição.
Advogada do Vôlei Futuro, Miriam Simões esteve presente ao julgamento e ficou inconformada com a decisão de denunciar o Cruzeiro apenas em artigo que prevê uma multa. O desejo do clube era, inclusive, mudar o local do próximo jogo. "Foi uma decepção esta decisão. É inadmissivel que só se multe o clube em uma questão tão grave, porque a discriminação foi absurda. Venceu o preconceito".
O time de Araçatuba venceu o segundo duelo e com isso haverá o terceiro confronto, agendado para a próxima sexta-feira, dia 15, às 20h30, novamente em Contagem. Para prevenir novas ofensas, a diretoria do Cruzeiro está fazendo uma campanha educativa com a torcida para que o caso não se repita


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13/04/2011

AUDIENCIA DA LBL RN

GRANDE NOTÍCIA DO RN!
PARABÉS COPMPAS!

PREZADAS COMPANHEIRAS DA LBL, BOA NOITE
ACONTECEU NESTA MANHÃ DE 12/04 NA CAMARA  MUNICIPAL DO NATAL
AUDIENCIA PUBLICA PARA TRATAR DA ORGANIZAÇÃO E INSTALAÇÃO DA SECRETARIA MUNICIPAL DA MULHER - PROJETO PROPOSTO PELA VEREADORA SARGENTO REGINA - PDT EM PARCERIA COM A LIGA BRASIELIRA DE LÉSBICAS E FORUM DE MULHERES DO RN. ESTA É MAIS UMA CONQUISTA DO MOVIMENTO DE MULHERES DO RN QUE A LBL COMEMORA POR FAZER PARTE DA CONSTRUÇÃO EFETIVA DO PROJETO. VIVA TODAS AS LÉSBICAS E AS MAIS DIVERSAS MULHERES QUE NOS APOIAM NESTA CAMINHADA.
GORETTI
CNDM - LBL

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12/04/2011

Alteração na PLC 122 - você concorda?

Marta altera projeto e permite pregação contra gays
Marcelo Cia, Mix Brasil

A senadora Marta Suplicy, do PT, atual relatora do PLC 122 - a lei que pretende criminalizar a homofobia no Brasil - fez uma alteração substancial no texto que tramita no Senado Federal. Na prática, a alteração permite que pregações em templos e igrejas condenem a homossexualidade.

É a forma encontrada pela Senadora e seus assessores para que o texto do PLC 122 passe pela barricada formada pelos parlamentares evangélicos. Agora o projeto deixa claro que a lei não se aplicará a templos religiosos, pregações ou quaisquer outros itens ligados a fé, desde que não incitem a violência.

O novo parágrafo diz: "O disposto no capítulo deste artigo não se aplica à manifestação pacífica de pensamento fundada na liberdade de consciência e de crença de que trata o inciso 6° do artigo 5° (da Constituição)".

A liberdade de pregação e culto contra a homossexualidade, preservada pelo novo texto, não inclui as mídias eletrônicas. Isso é: continua vetado, sob pena de multa, textos, vídeos e falas que condenem a homossexualidade publicados em sites ou transmitidos pela TV.

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E você, o que pensa disso? Mande um comentário para a gente!@

Jovem que sofreu racismo no RS tenta voltar a estudar na Bahia

Que Absurdo!!!!
 
Com ajuda do Enem, Helder conseguiu passar na Universidade do Pampa.

Ele relata agressão por parte de policiais do Rio Grande do Sul.

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De volta a Feira de Santana, o estudante Helder Santos que sofreu ameaças após denunciar agressão da polícia no município de Jaguarão, no Rio Grande do Sul, agora vai aguardar o próximo semestre para tentar a transferência para cursar história na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Assim, ele pretende recomeçar os planos e conseguir o diploma universitário.
Com a ajuda do Enem, Helder conseguiu passar na Universidade Federal do Pampa, na cidade de Jaguarão, no Rio Grande do Sul. Estava estudando lá desde o ano passado onde também conseguiu um emprego.
No dia 5 de fevereiro, na saída de uma festa da escolha da rainha do Carnaval, o rapaz conta que ele e um grupo de amigos foram abordados por policiais. 'Começou com agressão verbal. Ele me chamou de negão e mandou eu olhar para a parede. Outro amigo meu já estava sendo agredido por outros dois policiais. Quando questionei a agressão, fui atingido por um cacetete. Fui autuado por desacato porque questionei a abordagem. Entrei com processo na coordenadoria e na delegacia e daí começaram as ameaças', contou o rapaz.
As ameaças começaram primeiro com duas cartas escritas no computador e endereçadas a Helder. Elas continham xingamentos e pedidos para que ele parasse de denunciar o ocorrido. De acordo com ele, foi o medo que motivou a volta para casa.
Helder agora pretende não voltar mais para Jaguarão e abriu mão de tudo que construiu lá. De volta à Bahia, ele vai em busca da transferência para o mesmo curso de história na Universidade Federal do Recôncavo Baiano.
Helder visitou a UEFS, onde foi recebido por amigos e professores. O clima é de apoio ao estudante que sempre foi presente no movimento estudantil quando era aluno secundarista.
 
Fonte: G1  - Leia materia completa: Jovem que sofreu racismo no RS tenta voltar a estudar na Bahia - Portal Geledés

11/04/2011

Parabéns Maranhão - Resolução Nome Social Conselho Estadual de Educação do Maranhão

RESOLUÇÃO Nº 242/2010 - CEE
Dispõe sobre a inclusão do nome social de travestis e transexuais nos registros internos de documentos escolares das instituições de ensino integrantes do Sistema Estadual de Ensino do Maranhão e dá outras providências.
                                                                                                                                                              &nbsp ;            

O CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DO MARANHÃO, no uso de suas atribuições legais e, considerando o Parecer Nº 293/2010 - CEE, do Grupo de Estudos designado pela Portaria Nº. 057, de 15 de setembro de 2009, emitido nos Processos CEE Nos. 470/2009, 498/2009, 534/2009 e 257/2010, aprovado por unanimidade em Sessão Plenária hoje realizada,

RESOLVE:

Art. 1º. Determinar que as instituições de ensino público e privado, integrantes do Sistema Estadual de Ensino do Maranhão, incluam o nome social de travestis e transexuais nos seus registros internos de modo a garantir a efetivação do processo de inclusão de travestis e transexuais no contexto escolar.

Art. 2º. Os estabelecimentos públicos e privados integrantes do Sistema Estadual de Ensino do Maranhão, em respeito à cidadania, aos direitos humanos, à diversidade, ao pluralismo e à dignidade da pessoa humana devem assegurar condições de acesso, permanência e sucesso escolar de travestis e transexuais.

Art. 3º.  Os Gestores das instituições de ensino, referidos no art. 1º desta Resolução, devem conceder aos travestis e transexuais, maiores de 18 (dezoito) anos, o direito de se manifestarem, por escrito, no ato da matrícula ou ao longo do ano letivo, seu interesse na inclusão do nome social pelo qual são reconhecidos na comunidade.

Parágrafo único. No caso de menor de idade, a inclusão, de que trata o caput, deve ocorrer mediante requerimento assinado pelos pais ou responsável legal.

Art. 4º.  Os Gestores das entidades mantenedoras devem orientar as instituições de ensino respectivas para que mantenham programas de combate à homofobia e à transfobia nas suas atividades educativas, com vistas ao respeito à cidadania, à dignidade da pessoa humana e à diversidade como forma de contribuir para a eliminação de discriminação e preconceito, bem como ao cumprimento do disposto nesta Resolução.

Art. 5º Os casos omissos são resolvidos pelo Conselho Estadual de Educação.

Art. 6º A presente Resolução entra em vigor na data da sua publicação.


SALA DAS SESSÕES PLENÁRIAS DO CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DO MARANHÃO, em São Luís, 19 de agosto de 2010.
José Ribamar Bastos Ramos
Presidente CEE/MA

10/04/2011

DOMINGO: Batida policial na Cidade Baixa – uma ação anunciada


Após a reportagem de ZH da última segunda-feira, intitulada: “Sem Limites – Vandalismo, Sexo e Drogas a Céu Aberto”, denunciada como homofóbica neste blog, fizemos algumas ações e participamos de uma reunião (na sexta-feira, dia 08) com o GT-LOS - Grupo de Trabalho sobre Livre Orientação Sexual - da Prefeitura de Porto Alegre.
Nossa maior preocupação nesta reunião, além da vinculação feita pela reportagem com as lésbicas e gays que frequentam a Cidade Baixa – vinculação não intencional, segundo e-mail que recebemos de um dos jornalistas que assinavam a matéria, mas que, na nossa opinião, foi direta e reforçada pelas fotos de beijos homossexuais – era com a segurança da população jovem que frequenta aquela área. Sobretudo porque sabíamos, como afirmamos várias vezes naquela reunião, que a BM faria alguma ação na Cidade Baixa neste final de semana e nos preocupava saber qual a orientação do ESTADO caso a ação ocorresse, sobretudo porque pressionados pelo poder de circulação do veículo que publicou a matéria.

O Papel da Imprensa:
Para nós a imprensa tem o dever de explicitar em suas matérias os problemas que existem por toda a cidade, mas uma reportagem pressupõe ouvir todos os lados de um problema, sobretudo em regiões de conflitos sociais – como é o caso da cidade baixa, em função da tentativa de expulsar de lá gays e lésbicas que começou com a concentração em frente ao Shopping Olaria há alguns anos e que, hoje, se estende a todos os jovens de baixa renda que consomem álcool nas calçadas e não nos bares.
Uma reportagem parcial, que retrata jovens como vândalos, inimigos da população local e que faz uma vinculação destes problemas com a homossexualidade presta um desserviço a todos o trabalho que fazemos diariamente na afirmação positiva dos LGBTs, buscando o fim do preconceito e da homofobia (que tem matado centenas) e o avanço nos direitos para nossa população.

O Papel do Estado
Esta população jovem, que frequenta a redenção durante o dia, e para a qual faltam políticas sociais, espaços de socialização, opções culturais, não é inimiga de qualquer cidadão adulto de qualquer parte da cidade. É, na verdade, vítima da falta de ação do Estado que os deixa sujeitos aos excessos próprios da fase em que vivem, onde transgredir é parte do processo de crescimento pelo qual estão passando.
O Estado, no entanto, ao invés de voltar sua preocupação para a juventude, para seu desenvolvimento intelectual, social, cultural, cede às pressões dos comerciantes da área e tenta, através da repressão policial, expulsá-los das ruas da Cidade Baixa.
Enquanto isso, nos arredores do Parque da Redenção, dezenas de jovens universitários estão à merce de assaltos e violações de direitos, justamente porque o Estado não está presente e a imprensa não se importa.
Gostaria de ter acesso às estatísticas de assaltos nos arredores da Lima e Silva e compará-los com as mesmas estatísticas nos arredores da Redenção. Tenho certeza que a ação policial seria mais útil perto da universidade do que perto dos bares da Cidade Baixa.

O Papel da Polícia
Me pergunto qual o resultado que uma ação – anunciada e sem planejamento como a de hoje – tem do ponto de vista prático para resolver os problemas que são apontados na Cidade Baixa?
Sabendo que a ação ocorreria e sem as repostas que formos buscar na reunião de sexta-feira (que era: qual a orientação para a abordagem policial), nos organizamos e formos para a rua neste domingo ao final da tarde.
Chegamos na Lima e Silva, junto com o Batalhão da BM que foi deslocado para aquela área (por volta das 19h30min).
Apesar da chegada cinematográfica, a abordagem policial não foi violenta, ao contrário, todos os policiais – a exceção de um, cuja foto gostaria de ver na reportagem de ZH de amanhã, que sacou uma arma – foram bastante comedidos na abordagem aos jovens.
Claro que a presença da reportagem que acompanhava a “ação policial” pode ter facilitado esta postura. Aliás, fiquei pensando: porque um repórter, da mesma rede que publicou a matéria de segunda-feira, chegou com os policiais na ação?
Bem... Os jovens foram colocados contra a parede, questionados e revistados, sem que nada fosse encontrado. Alguns saíam perguntando: “gente, o que é isso aqui hoje?”
Nós acompanhávamos tudo de perto – fomos até fotografas por uma policial que carregava uma câmera portatil – e falávamos com a garotada após a revista para tranquilizá-los e ver como se sentiram.
O batalhão caminhava de um lado para o outro – a concentração dos jovens já era bem menor - quando, de repente 04 ou 05 rapazes começaram uma briga na calçada em frente ao supermercado, do lado contrário da calçada, bem em frente ao maior grupo de policiais.
Quatro ou cinco policiais atravessaram a rua – um deles, que espero ver nas fotos de amanhã, na reportagem que certamente haverá na ZH – com uma arma em punho, gritando: “Separa, Separa, Separa!” .... mas ele foi logo afastado por outro colega, enquanto a gurizada foi jogada contra a parede.
A Câmera do repórter que acompanha a “ação policial” ficou frenética, disparou vários tiros, digo, tiros do obturador da câmera, contra os adolescentes. Quatro foram presos os outros liberados e aí.....
Aí a “ação policial” acabou! Todos foram embora e a Cidade Baixa retomou seu ritmo normal (eram, mais ou menos, 20h30min).

O Papel da Imprensa II
Quando saí de lá, fiquei com a nítida impressão de que a “ação policial” da Cidade Baixa estava a serviço do repórter que acompanhava a ação.
Ação que, achadas as drogas – que imagino devem ter sido achadas com os 04 que foram presos - a briga (vandalismo) citados na segunda-feira, acabou tão rapidamente como começou.
Claro que isso é uma “viagem” de militante de direitos humanos!
Esperem a ZH de amanhã e voltamos a discutir na terça-feira.
Torço - torço mesmo! - para estar errada, porque seria colocar o Estado e toda uma corporação da maior importância – de joelhos para um veículo de comunicação, mas não, isso é “viagem” de militante de direitos humanos!

O Papel do Estado II
Esperávamos encontrar na Cidade Baixa os agentes da Prefeitura e do Governo do Estado, presentes na reunião de sexta-feira, já que todos afirmaram ter as mesmas preocupações que nós manifestávamos.
Estes agentes, no entanto, não estavam lá! Estavam os policiais que representam a força repressiva do Estado, o monopólio da violência – que se não foi física, foi moral!

O Papel dos Movimentos Sociais
A nós, movimentos sociais – infelizmente éramos tão poucos - cabe fazermos o que fizemos hoje: acompanhar as ações anunciadas da BM e garantir um tratamento decente para esta gurizada. Cobrar do poder público as ações que efetivamente resolverão os problemas e os excessos cometidos em todos os cantos da cidade e a proteção que garantirá sua circulação na Cidade Baixa e na Cidade inteira.
Quanto à ZH: nós estávamos lá .... e estamos de olho!

09/04/2011

NOTA PÚBLICA CNCD/LGBT

SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS
CONSELHO NACIONAL DE COMBATE À DISCRIMINAÇÃO E PROMOÇÃO DOS DIREITOS
DE LÉSBICAS, GAYS, ISSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSEXUAIS – CNCD/LGB
NOTA PÚBLICA Nº 01, DE 31 DE MARÇO DE 2011
O Conselho Nacional de Combate à Discriminação de Lésbicas, Gays,
Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT), reprova com veemência
as declarações racistas, sexistas e homofóbicas feitas pelo deputado
federal Jair Bolsonaro (PP/RJ), em entrevista exibida no programa
Custe o Que Custar (CQC), em 28 de março de 2011, onde foi questionado
por várias pessoas, uma delas a cantora Preta Gil sobre como reagiria
se seu filho namorasse uma mulher negra. A resposta de Bolsonaro foi:
"Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro
esse risco. Os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em
ambientes como lamentavelmente é o teu". Após ser acusado de racista,
o parlamentar lançou nota afirmando que "A resposta dada deve-se a
errado entendimento da pergunta - percebida, equivocadamente, como
questionamento a eventual amoro de meu filho com um gay (…). Reitero
que não sou apologista do homossexualismo (sic), por entender que tal
prática não seja motivo de orgulho.". Em outro momento, na mesma
entrevista, ele também disse que jamais poderia ter um filho gay.
Aproveitando-se da falta de instrumento legal que criminaliza atos
homofóbicos, Bolsonaro tem se notabilizado como destilador contumaz de
ódio e intolerância contra a população de LGBT. Agora, ele tenta
esquivar-se da acusação de racismo – crime tipificado na legislação
brasileira -, agredindo e injuriando novamente a população LGBT.
Com tais posições e declarações, Bolsonaro reforça a sua faceta
homofóbica, racista e sexista, agindo, de forma deliberada, com
posturas incompatíveis com o decoro e a ética exigida de um exigida de
um representante da sociedade brasileira no Congresso Nacional,
especialmente considerando os princípios da democracia e do respeito a
diversidade do povo brasileiro.
O CNCD/LGBT endossa todas as representações apresentadas por
Parlamentares junto a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara
Federal e requer ao Procurador Geral da República a instauração de
investigação criminal para apuração do crime de racismo (Art. 20 da
Lei 7.716/89) e injúria e difamação contra a população LGBT.

07/04/2011

Garota é encontrada morta em Goiás; suspeito é o pai da namorada dela

GOIÂNIA - Um assassinato chocou os moradores de Itarumã, em Goiás. Um fazendeiro >chamado Cláudio e seus dois filhos são suspeitos de matar a adolescente Adrieli >Camacho de Almeida, 16 anos.
>A menina namorava a filha do fazendeiro. As garotas se conheceram no município >vizinho de Cassilândia, no Mato Grosso do Sul. O fazendeiro mudou-se para >Itarumã para dificultar o encontro das meninas. O casal, porém, continuou a se >encontrar e Cláudio teria ameaçado Adrieli de morte, caso elas insistissem no >relacionamento.
>A garota estava desaparecida desde o dia 13 de março. O corpo foi encontrado
>nesta terça-feira, em uma propriedade vizinha à do fazendeiro.
>Segundo o comandante da Polícia Militar na região, capitão Airton Vieira da
>Silva, um dos filhos do fazendeiro, um garoto de apenas 13 anos, confessou o
>crime. >O menino disse que o irmão, um adolescente de 16 anos, matou Adrieli a facadas e >que os dois esconderam o corpo.
>- Adrieli foi atraída para a fazenda pelo irmão mais velho, com a promessa de
>que ele ajudaria as garotas a fugir - disse o comandante.
>Os menores foram apreendidos pela polícia. O fazendeiro, que nega relação com o >crime, está preso.

Informativo Diretoria de Mulheres da UNE

Gurias: Recebemos o  boletim Informativo das Mulheres da UNE, informando sobre o Encontro Nacional e outras cossitas mais.

Parabenizamos a Entidade pela atitude! Eis abaixo o link para a página desta mulherada de guerra do movimento estudantil:
http://mulheresnaune.blogspot.com/

Bom Encontro, gurias, na Bahia. E não esqueçam de pautar o mês de agosto no calendário das Estudantes. A visibilidade lésbica conta com vocês!

E você? O que é que você tem a ver com isso?

Adrieli Camacho de Almeida, tinha 16 anos.
"A flor da idade", onde todos os sentimentos surgem como tsunami's,
varrendo tudo!

Estava apaixonada – vivia um grande amor? - mas descobriu cedo que
nesta sociedade absurda, sustentada por uma moral hipócrita, algumas
coisas são puníveis com a morte.

A família de quem estava do outro lado deste romance adolescente não
concordava com ele: mudou-se de município para impedir que o casal se
encontra-se, ameaçou Adrieli de morte, mas ela não ligou: estava
apaixonada e tinha apenas 16 anos!

No dia 13 de março de 2011 Adrieli (que tinha apenas 16 anos!) desapareceu.
O corpo só foi encontrado nesta terça-feira, dia 05 de abril de 2011,
em uma propriedade vizinha à do fazendeiro, que é pai do amor de
Adrieli (que foi assassinada e tinha apenas 16 anos!)
O Irmão do amor de Adrieli (uma menina assassinada aos 16 anos, porque
estava apaixonada!), uma criança de 13 anos de idade (ele tem apenas
13 anos de idade!) confessou o crime.
O menino disse que o irmão, um adolescente de 16 anos (um assassino,
incitado pelo pai, que também tinha apenas 16 anos!), matou Adrieli a
facadas e que os dois esconderam o corpo.
Dizem que o crime chocou a cidade de Goiânia.
A menina Adrieli (que tinha apenas 16 anos, estava amando e foi
assassinada pela família de seu amor) cometeu um crime punível com a
morte: ela amava uma outra menina (que também tem apenas 16 anos! E
que convive hoje com a realidade crua de que seus irmãos, de 13 e de
16 anos, com a orientação (e participação?) de seu pai, assassinaram e
esconderam o corpo de sua amada, Adrieli, que tinha apenas 16 anos!).
Me pergunto qual foi a influência que estes assassinos tiveram de
declarações do tipo feitas pelo Dep. Jair Bolsonaro (PP-RJ) sobre o
comportamento que os pais devem ter ao descobrirem filhos (e filhas)
homossexuais – declarações repetidas perto do dia em que o corpo de
Adrieli foi encontrado, o que deve ter causado um certo alívio ao pai
assassino.
Me pergunto quais foram as punições impostas à namorada de Adrieli,
filha e irmã dos assassinos, e se ela conseguirá suportar a pena que
está vivendo desde o dia de ontem até o final de sua vida?
Me pergunto até quando a gente vai ficar lendo matérias como estas,
sem tempo, disposição ou coragem para partir para a ação concreta de
transformar esta realidade absurda, não amanhã, mas hoje?
Quantas Adrielis serão necessárias para que a luta LGBT não seja
apenas da população LGBT?
Não são mais "01 assassinato de homossexuais a cada 03 dias no Brasil"!
Agora são quase 01 assassinato POR DIA (0,70) em todo o Brasil!
Em Goiânia, cidade que sepultará Adrieli, foram 12 no ano de 2010, mas
se fosse apenas Adrieli seria menos sério? Seria menos importante?
Seria menos comovente?
A família do amor de Adrieli "lavou a honra da família" sem questionar
o que isso causaria a menina que a amava, porque o importante aqui não
é a "preservação da família" como apregoam aos gritos os Bolsonaros da
vida. A questão aqui é dizer com quem, quando e como podemos nos
relacionar, preservando a instituição da hipocrisia que move a
sociedade moderna.
Eu não suporto mais conviver com mulheres violadas, mortas, espancadas!
Eu não suporto mais os Skin Heads de Porto Alegre!
Eu não suporto mais os espancamentos a homossexuais da Avenida Paulista!
Eu não suporto mais os estupros corretivos da áfrica (e apologia a
eles nas comunidades da internet)!
Eu não suporto mais o relato de amigas que são expulsas de seus
prédios, que são perseguidas no trabalho, que são assedias para
fecharem bares na República!
Eu sou lésbica e não suporto mais! E você? Você suporta? O que é que
mesmo você tem a ver com isso?

Ana Naiara Malavolta
Articuladora Estadual da Liga Brasileira de Lésbicas

Garota é encontrada morta em Goiás; suspeito é o pai da namorada dela

GOIÂNIA - Um assassinato chocou os moradores de Itarumã, em Goiás. Um fazendeiro chamado Cláudio e seus dois filhos são suspeitos de matar a adolescente Adrieli Camacho de Almeida, 16 anos.

A menina namorava a filha do fazendeiro. As garotas se conheceram no município vizinho de Cassilândia, no Mato Grosso do Sul. O fazendeiro mudou-se para Itarumã para dificultar o encontro das meninas. O casal, porém, continuou a se encontrar e Cláudio teria ameaçado Adrieli de morte, caso elas insistissem no relacionamento.

A garota estava desaparecida desde o dia 13 de março. O corpo foi encontrado nesta terça-feira, em uma propriedade vizinha à do fazendeiro.

Segundo o comandante da Polícia Militar na região, capitão Airton Vieira da Silva, um dos filhos do fazendeiro, um garoto de apenas 13 anos, confessou o crime.

O menino disse que o irmão, um adolescente de 16 anos, matou Adrieli a facadas e que os dois esconderam o corpo.

- Adrieli foi atraída para a fazenda pelo irmão mais velho, com a promessa de que ele ajudaria as garotas a fugir - disse o comandante.

Os menores foram apreendidos pela polícia. O fazendeiro, que nega relação com o crime, está preso

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05/04/2011

Artigo Respeito à diversidade

Respeito à diversidade
Vereadora Maria Celeste (PT) Presidenta da Comissão de Direitos Humanos

Vivemos em um Estado Democrático de Direito onde as garantias estão previstas em nossa Constituição Federal. Nossa Carta Magna, assim como a Declaração Universal de Direitos Humanos, diz que todos são iguais e tem igual proteção da lei. Mesmo assim, lamentavelmente, no Brasil, estes direitos não estão assegurados, e nos deparamos no cotidiano com atos de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero.

Exemplo disso foi o episódio relatado por uma proprietária de bar LGBT, que foi alvo de ameaças e perseguições sob alegação de suposta irregularidade no estabelecimento, na audiência da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana da Câmara de Porto Alegre. A empresária alegou ainda que seu espaço comercial estava regular e a ação punitiva teria origem homofóbica.

Recentemente, também tivemos casos de discriminação na Universidade Federal de Ciências de Saúde da Capital e em alguns bares da cidade, cujos donos discriminaram frequentadores homossexuais, assim como os casos veiculados pela mídia ocorridos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Essas são algumas situações de preconceito, das inúmeras que ocorrem em nossa sociedade.

O mapeamento de crimes homofóbicos ainda é escasso no País. Os últimos dados disponíveis, publicados no Relatório Anual de Assassinatos de Homossexuais (LGBT), informam que, em 2010, ocorreram em torno de 250 mortes. Comparados a 2009, que registrou 198 casos, aumentaram consideravelmente. A pesquisa realizada pela USP apontou que 87% da comunidade escolar pública brasileira tem algum grau de preconceito contra homossexuais. Isto é preocupante e merece atenção e cuidado através de ações que combatam na prática este tipo de violação de direitos. A Campanha Nacional Contra a Homofobia, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, é uma das iniciativas que utiliza o oportuno slogan "Faça do Brasil um território livre da homofobia", combinado com o serviço do Disque 100.

Aqui em Porto Alegre, a Comissão da Câmara está propondo uma campanha de enfrentamento à discriminação, combinada com uma ampla divulgação do Artigo 150 da Lei Municipal. 

Ele prevê que qualquer estabelecimento de qualquer natureza — comercial, industrial ou prestação de serviço, hospital, escola, entre outros — onde ocorra qualquer ato discriminatório à pessoa em função de sua orientação sexual será multado o proprietário e até cassado o alvará de licença.

Estas são ações concretas de combate à discriminação, e neste caminho precisamos avançar para que todos possam viver em uma sociedade de respeito à diversidade. Que o Brasil siga o exemplo de Argentina, Bélgica, Canadá, Espanha, Holanda, Islândia, Noruega, Portugal, Suécia e México, onde o homossexual tem seu direito garantido.

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Estamos de Olho!

OAB-RJ acusa Jair Bolsonaro de quebra de decoro

A Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro apresentou Representação por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) por conta da entrevista dada ao programa CQC com teor homofóbico e racista. Na Representação, feita ao presidente da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, a OAB pede que seja instaurado procedimento para apurar a quebra de decoro.

O programa foi transmitido nessa terça-feira (28/3). Questionado pela cantora Preta Gil sobre o que faria se o seu filho se apaixonasse por uma negra, disparou: "Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja, eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu".

Segundo a OAB-RJ, Bolsonaro participou do quadro na qualidade de parlamentar e, "além da esperada defesa de posições conservadoras por parte do representado (o que é legítimo direito seu), algumas de suas respostas extrapolaram a olhos vistos a liberdade de expressão, violando valores constitucionais essenciais ao Estado Democrático de Direito"


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ARTIGO - O retrato do preconceito


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Nos últimos meses ficamos chocados com vários ataques machistas, racistas e homofóbicos. Cada caso demonstra o processo de degeneração da sociedade capitalista e a necessidade de repensarmos valores importantes para o desenvolvimento das novas gerações. Não existe espaço para todos e muito menos o direito à igualdade de oportunidades nessa sociedade. 

Quem não se lembra do trabalhador que manteve prisioneira sua ex-companheira por cerca de 70 horas? Um fato que teve repercussão nacional e que não produziu a reflexão necessária. Afinal de contas, o que levou esse trabalhador a visualizar sua companheira como um objeto de sua propriedade? Essa concepção está intimamente ligada à formação da sociedade atual – que tem como base a propriedade privada – onde as mulheres foram renegadas a meras coadjuvantes no processo de construção e produção da sociedade capitalista. A mulher cuida da casa e dos filhos enquanto os homens trabalham fora.  A conseqüência dessa realidade é que a cada dois minutos uma mulher é espancada no Brasil. 

O racismo é algo tão nefasto quanto o machismo e também está conectado com o processo de formação da sociedade. No Brasil, há pouco mais de 12 décadas se vivia em plena escravidão legal. Essa história recente infelizmente gerou um impacto social que até agora não foi reparado. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, os negros e negras representam 69,3% dos 10% mais pobres e, apenas, 8,2% da camada constituída pelo 1% mais rico. Isso levando em consideração apenas os extremos, pois é sabemos que as periferias e o subemprego fazem parte da vida de grande parte da população negra em nosso país. Além dessas opressões de gênero, racial e sócio-econômica ainda temos que conviver com a opressão sexual.

A homofobia – um distúrbio psicológico que gera temor ou aversão aos seres humanos que se relacionam com outros do mesmo sexo – já assassinou em nosso país 260 pessoas no ano de 2010, considerando só os casos registrados. Segundo o antropólogo Luiz Mott, o risco de um homossexual ser assassinado no Brasil é 785% maior que nos Estados Unidos, sendo que este país já não é um bom exemplo de tolerância. O deputado Bolsonaro, ou Barossauro (um tipo de dinossauro que viveu entre 155 e 145 milhões de anos atrás nos Estados Unidos) apenas é um produto dessa sociedade degenerada, onde o respeito aos direitos humanos é timbre no papel e a hipocrisia é generalizada. Bolsonaro precisa ser punido com a perda do mandado. O lugar de pessoas como ele é na prisão.

Mas escrevo para comentar o susto que tive ao folhar as páginas da Zero Hora no último dia 04. Refiro-me à matéria "Vandalismo, drogas e sexo a céu aberto", não por seu conteúdo escrito e sim pela homofobia disfarçada. O texto em si apenas afirma que o uso de drogas e o alcoolismo são uma realidade na juventude. Porém, as fotos que o acompanham revelam o verdadeiro preconceito. Faço uma pergunta para nossa reflexão: Qual o delito cometido pelos seis jovens que estavam se beijando nas fotos da reportagem especial? Para provar o flagrante e justificar o título que denuncia o vandalismo, drogadição e sexo explícito em uma das ruas mais conhecidas da capital, o jornal utilizou seis fotos, sendo que três delas  apenas mostravam beijos e abraços. Para superar essa situação de drogadição entre os jovens os governantes devem tomar vergonha na cara e investir nas áreas sociais para disputar a juventude contra o tráfico. As vítimas do Sistema não podem ser culpadas ou criminalizadas pela sua situação. Homossexualidade não é sinônimo de vandalismo, drogadição e perversão.

Com a publicação dessas fotos neste contexto só posso chegar à conclusão que a Zero Hora fez um desserviço à luta contra a discriminação e ao combate à homofobia que mata e agride milhares de seres humanos todos os dias em nosso planeta. Este erro merece retratação!  

Por Giovanni Mangia - Estudante e militante do PSTU

www.twitter.com/giomangia
OBS: Artigo enviado ao jornal Zero Hora e que não foi publicado (obviamente, rsrs)


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04/04/2011

Sem Limites - Quando o preconceito está implícito e fica explícito

Reportagem especial de Zero Hora desta segunda-feira - ilustrada com
06 fotos, das quais 03 eram de beijos homossexuais - explicita, mais
que o preconceito, a falta de visão social de vários problemas.
A primeira surpresa vem com a manchete: "vandalismo, drogas e sexo a
céu aberto" ilustrada com 03 casais homossexuais se beijando, de forma
absolutamente "normal", em três diferentes situações.
Minha primeira surpresa foi perceber que nunca tinha visto tantos
beijos gays numa mesma reportagem de ZH, infelizmente, com conotação
tão pejorativa e distorcida. Espero que, daqui para adiante, tais
demonstrações de afeto e carinho entre pessoas do mesmo sexo deixem de
ser tabu para este veículo e seus afiliados (e amadrinhados) país
afora.
A segunda surpresa, ao ler a reportagem buscando os fatos, foi me
deparar com tanta falta de sensibilidade com relação a um problema que
há anos se arrasta na cidade de Porto Alegre: a falta de alternativas
para adolescentes e jovens com relação a atividades culturais e mesmo
com relação a pontos de encontro na capital.
Em mais de um trecho da "reportagem" - se é que se pode chamar de
reportagem uma matéria que aborda apenas um lado do problema - pude
perceber a preocupação com os comerciantes da região "invadida" pelos
jovens, e com a descrição de que um referido supermercado (o mesmo que
vende bebidas alcoólicas a baixos preços a garotada) é obrigado a
fechar seus banheiros. Me pergunto quantas vezes os jovens que compram
garrafas de cachaça (também visível em uma das fotos) foram obrigados a
apresentar carteira de identidade para comprovar que eram maiores na hora
da compra da bebida no caixa do supermercado?
O problema na região da cidade baixa não é frequência de lésbicas e
gays, como sugere a malfadada matéria, mas a presença de um conjunto
de jovens de todas as orientações sexuais que, sem alternativas na
cidade, vítima da falta de políticas públicas para esta população, com
completo acesso a álcool e drogas as mais variadas, encontra, nos
arredores do parque que frequenta de dia, a continuidade da
socialização peculiar de sua faixa etária durante o final da tarde e a
noite.
Tivéssemos na cidade – como já tivemos em outros tempos – shows
públicos, mostras de teatro, cinema a baixos preços, praças seguras e
iluminadas e esta garotada teria um destino diferente.
Ao invés de ficarmos preocupados com o lucros de domingo de alguns
comerciantes rançosos, que evitam em seus espaços a circulação de
gente que não lhes pareça como uma imagem de espelho, preocupemo-nos
com a segurança e o desenvolvimento (afetivo, cultural, social) desta
garotada que grita que não será como aqueles que lhes torcem o nariz.
Espero que o mesmo espaço reservado às fotos de gays e lésbicas em
situação tão negativa (não pelos beijos, é claro, mas pela insinuação
grotesca do texto) seja dada a esta população nos momentos em que
reivindicamos o fim da homofobia, a aprovação da PLC122/06, o
casamento gay, a adoção por casais do mesmo sexo. Espero ver este
jornal contribuir para a imagem positiva de nossa população e para a
conquista de direitos e oportunidades, ao invés de fomentar o ódio
anti-gay, anti-lésbica, anti-travesti que se subentende de reportagens
como esta.
Aos responsáveis pela matéria (jornalistas?
gustavo.azevedo@zerohora.com.br, marcelo.gonzatto@zerohora.com.br),
sugiro a dignidade de entrevistar a população que ali foi retratada,
procurando as suas razões para os excessos que foram apontados. Tenho
certeza que poderão perceber que esses meninos e meninas são mais
vítimas sociais do que vândalos incontroláveis que perturbam a ordem
de nosso "Porto tão Alegre dos Casais". Assim, quem, sabe, consigam
contribuir para que este porto seja para todos os casais, para todas
as idades, para todas as pessoas e não apenas para aqueles que mantém
comércio ou que detém o poder da imprensa.
Cobre-se do poder pública uma ação educativa na região, políticas
definidas para jovens e adolescentes, oportunidades de trabalho e
renda, combate ao tráfico de entorpecentes e à venda de bebidas para
menores de idade e coloque-se na cadeia aqueles que se aproveitam e
lucram com isso. E, por favor, parem de apontar o amor entre pessoas
do mesmo sexo como a causa do problema. Não somos marginais – ainda
que muitos queiram nos manter à margem - e não permitiremos que nos
tratem como se fôssemos!
Ana Naiara Malavolta
Articuladora Estadual daLiga Brasileira de Lésbicas

02/04/2011

Moção de repúdio da LBL ao deputado bolsonaro

Nós, da Liga Brasileira de Lésbicas, organização autônoma que defende
a justiça, a democracia, a liberdade, a igualdade e a livre orientação
sexual, vimos a público apresentar nossa indignação e ao mesmo tempo
repudiar as declarações racistas, sexistas e homofóbicas do Dep.
Federal Jair Bolsonaro (PP/RJ).

Conforme já amplamente divulgado, a cantora Preta Gil que perguntou a
Bolsonaro "como o deputado reagiria se seu filho namorasse uma mulher
negra". Em resposta, o parlamentar afirmou: "Não vou discutir
promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco. Os meus
filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes que
lamentavelmente é o teu". Após ser acusado de racista, o parlamentar
lançou nota afirmando que "a resposta dada deve-se ao errado
entendimento da pergunta – percebida, equivocadamente como
questionamento a eventual namoro com um gay. Reitero que não sou
apologista do homossexualismo, por entender que tal prática não seja
motivo de orgulho". Em outro momento da mesma entrevista o deputado
disse jamais poderia ter um filho gay.

Em um estado democrático de direito, é inadmissível que um agente
público - como é o caso do Deputado Bolsonaro – patrocine flagrantes
desrespeitos aos princípios consagrados pela Constituição Federal,
notadamente o da não-discriminação, da prevalência dos direitos
humanos e o da dignidade da pessoa humana. As declarações do
parlamentar carioca inflamam o ódio, o racismo, o sexismo, a
homofobia.

Neste momento em que a sociedade brasileira deu um passo significativo
para o rompimento com a cultura machista elegendo a primeira mulher
presidenta do Brasil, é espantoso que este representante legislativo
insista na defesa de uma cultura de ódio aos diferentes, transformando
nossas diferenças humanas em desigualdades sociais.

Exigimos cessação deste tipo de atitude ou declarações de
representantes públicos e a imediata cassação deste parlamentar que
ultrapassou todos os limites da convivência democrática, violando os
direitos fundamentais da população negra e das pessoas que tem uma
orientação sexual diferente da heterossexual.

Por um mundo sem machismo, racismo e lesbo-homo-transfobia!