30/05/2010

LBL coordena Oficina no CONASEMS - durante encontro no RS

A oficina "Diversidade de Sujeitos, Igualdade de Direitos" , realizada no dia 26 do corrente, como parte da programação do xxvi congresso nacional do conasems, buscou criar estratégias de enfrentamento e superação das iniquidades junto aos secretarios municipais de saúde, objetivo que, segundo o entendimento dos coordenadores e palestrantes, foi alcançado. desta oficina resultou um documento entregue ao presidente do conasems

Gramado, 26 de maio de 2010

Ao Exmo. Sr. Presidente do CONASEMS
Antônio Carlos Figueiredo Nardi.

Nós, conselheiras de saúde, e coordenadoras da Oficina "Diversidade de Sujeitos e Igualdade de Direitos no SUS" queremos  parabenizar o CONASEMS pela realização do XXVI Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde e agradecer o espaço cedido para realização desta atividade como parte da programação.
Esta oficina, articulada por representantes das Comissões Intersetoriais de Saúde da População LGBT, Negra, do Campo e da Floresta, da Mulher e de Pessoas com Deficiência, propiciou um diálogo entre o controle social, trabalhadores e gestores da saúde acerca do enfrentamento das iniqüidades que atingem  estas populações historicamente discriminadas.
Após um rico debate, os participantes aprovaram alguns encaminhamentos que julgamos fundamentais e para os quais, certamente, contamos com o seu apoio. Tais propostas apontam a necessidade de maior debate e visibilização das iniquidades em saúde, bem como das estratégias para superá-las, além de reforços à qualificação de gestores e profissionais da saúde para a melhor execução de suas responsabilidades. São elas:
1.     Inclusão permanente do tema na programação dos futuros congressos do CONASEMS, com a recomendação de sua inclusão nos congressos dos COSEMS.
2.     Inclusão e aprofundamento do tema na formação acadêmica e na educação permanente de gestores, trabalhadores e conselheiros do SUS.
3.     Criação de mecanismos de referência das diversidades de sujeitos nas gestões municipais, considerado suas singularidades e estímulo aos Conselhos de Saúde para que façam o mesmo. 
4.     Divulgar as experiências municipais exitosas destinadas ao enfrentamento das iniqüidades.
5.     Pactuar Plano Operativo de superação de iniqüidades na CIT e nas CIB.
Considerando o compromisso já explicitado pelo CONASEMS ao longo de todo o Congresso com a superação das iniquidades, sugerimos  sua inclusão na carta do CONASEMS.
Atenciosamente,

Maria de Lourdes Alves Rodrigues – Conselheira nacional, representante do Movimento LGBT.
Carmen Lucia Luiz – Conselheira nacional, coordenadora da Comissão Intersetorial de Saúde da População LGBT.
Jurema Werneck – Conselheira nacional, coordenadora da Comissão Intersetorial de Saúde da População Negra.
Maria do Espírito Santo Tavares dos Santos – Conselheira nacional, Coordenadora da Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher.
Maria Tereza Antunes – Conselheira nacional, representante do Movimento de Pessoas com Deficiência.

27/05/2010

LBL Organiza II Jornada Lésbica Feminista em SP


2ª JORNADA LÉSBICA FEMINISTA de SP - Junho 2010
02 – Quarta-feira
Debate “Cidadania Lésbica, conquistando direitos em São Paulo e no Brasil”
Horário: das 18h30 às 22h
Local: Auditório do Conselho Regional de Psicologia/SP – Rua Arruda Alvim, 89 (próximo ao Metrô Clínicas)

03 – Quinta-feira
Oficina “Mídia para Lideranças Lésbicas”
Será oferecida pelo Instituto Patrícia Galvão. Vagas limitadas. Inscrição e seleção prévia pelo email lblsp@uol.com. br.
Horário: 9h às 18h
Local: auditório do CRP-SP

Reunião de articulação e diálogos entre lideranças lésbicas de diversos estados do país
Horário: 19h
Local: Auditório do Conselho Regional de Psicologia/SP - Rua Arruda Alvim, 89 (próximo ao Metrô Clínicas)


04 - Sexta-feira
Oficina / Roda de conversa “ Sexualidade, Autonomia e Liberdade na perspectiva lésbica feminista“
Horário: 14h30 às 17h30
Local: Auditório do Conselho Regional de Psicologia/SP - Rua Arruda Alvim, 89 (próximo ao Metrô Clínicas)

05 - Sábado
8ª Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo
Ser Lésbica é um Direito! Autonomia e Liberdade por um mundo de igualdade!
+ Concentração: Praça Osvaldo Cruz a partir das 12h. Caminhada pela Av. Paulista em direção ao Masp.
+ Saída: às 14h30, com diferentes segmentos organizados em alas - deficientes, hip hop, ciclistas, grafiteiras, Fuzarca Feminista, sindicalistas, religiões de matrizes africanas, entre outras. Organize sua ala!
+ Encerramento: 16h às 18h, Boulevard 9 de julho (Praça atrás do Masp), embalada por Penha Pinheiro e banda.

Oficina de Grafitagem / Exposição itinerante no percurso da caminhada / Apresentação musical de diversas Djs / Ato político às 13h30 na Praça Osvaldo Cruz

06 - Domingo
Lésbicas na XII Parada LGBT de SP

12 – Sábado
Atividade do Dia das Namoradas
Horário: 16h
Local: Auditório do Conselho Regional de Psicologia/SP - Rua Arruda Alvim, 89 (próximo ao Metrô Clínicas)

13 - Domingo
Oficina “WenDo – Auto-defesa Feminista”
Será oferecida pelo grupo WenDo Brasil. Vagas limitadas. Inscrição prévia e seleção.
Horário: 14h
Local: sede da União de Mulheres de São Paulo - Rua Coração da Europa, 1395 – Bela Vista.
Mais informações: (11) 3283-4040.

29 - Terça-feira
Oficina “Leitura crítica da mídia na perspectiva lésbica feminista”
Oferecida pelo Intervozes.
Horário: das 14h às 17h
Local: sede do Geledés – Instituto da Mulher Negra - Rua Sta Isabel, 137, 4º andar, Vila Buarque.
Mais informações: (11) 3333-3444

Mostra de Cinema Lésbico
Sábados de junho: 12 e 19
Horário: 18h30
Local: Auditório do Conselho Regional de Psicologia/SP - Rua Arruda Alvim, 89 (próximo ao Metrô Clínicas)

Realização:
LBL – Liga Brasileira de Lésbicas
lblsp@uol.com.br / http://www.ligalesbicasp.blogspot.com/ / (11) 9747-5772 / (11) 9169-4513

Parceria:
Conselho Regional de Psicologia de São Paulo

Apoio:
Acessórios Arco-íris, Associação da Parada GLBT de São Paulo, CUT, Coletivo Estadual LGBT da CUT, Dykerama, Fuzarca Feminista, Geledés, Instituto Patrícia Galvão, Intervozes, Marcha Mundial das Mulheres, Min. da Saúde - Sec. de Vigilância em Saúde - Dep. de DST e Aids, Moleca, Projeto Sapataria, Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo, Sindsaúde/SP, Sindicato dos Trababalhadores do Judiciário/SP, União de Mulheres de São Paulo

Seminário Chega de Silêncios: Enfrentamento às violências contra as mulheres - THEMIS




Ministério federal emite portaria regulando uso de nome social no âmbito da Administraçlão Pública Federal

PORTARIA MPOG Nº 233, DE 18 DE MAIO DE 2010

O Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, Interino, no uso de suas atribuições, tendo em vista a delegação de competência prevista no art. 28 do Decreto Nº 6.944, de 21 de agosto de 2009, e em face do disposto no art. 3º, inciso IV, e no art. 5º, caput, e inciso XLI, da Constituição Federal de 1988, e, em consonância com a política de promoção e defesa dos direitos humanos, resolve:
Art. 1º Fica assegurado aos servidores públicos, no âmbito da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional, o uso do nome social adotado por travestis e transexuais.
Parágrafo único. Entende-se por nome social aquele pelo qual essas pessoas se identificam e são identificadas pela sociedade.
Art. 2º Fica assegurada a utilização do nome social, mediante requerimento da pessoa interessada, nas seguintes situações:
I - cadastro de dados e informações de uso social;
II - comunicações internas de uso social;
III - endereço de correio eletrônico;
IV - identificação funcional de uso interno do órgão (crachá);
V - lista de ramais do órgão; e
VI - nome de usuário em sistemas de informática.
§ 1º No caso do inciso IV, o nome social deverá ser anotado no anverso, e o nome civil no verso da identificação funcional.
§ 2º No Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos - SIAPE será implementado campo para a inscrição do nome social indicado pelo servidor.
Art. 3º Os órgãos deverão, no prazo de noventa dias, promover as necessárias adaptações nas normas e procedimentos internos, para a aplicação do disposto nesta Portaria.
Art. 4º Esta Portaria entra em vigor na data da sua publicação.
JOÃO BERNARDO DE AZEVEDO BRINGEL

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Comentário LBL: Consideramos esta portaria, que atinge servidores públicos anível federal, como um importante avanço, no sentido de que sinaliza a compreensão do governo acerca do direito que está sendo pleiteado em várias esferas. Com esta portaria, pode-se buscar o reconhecimento em escolas, universidades, rede de saúde e outras instituições.

23/05/2010

EM NOME DA MÃE - Entrevista com Débora Diniz (Anis.org) sobre laicidade

http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT757558-1666-1,00.html
Ela é a principal articuladora da ação que colocou o aborto na pauta de discussão nacional

Na terça-feira, quando Debora Diniz dava esta entrevista a ÉPOCA num restaurante de Brasília, foi interrompida por um telefonema. Era Richard Reiter, secretário para Assuntos Políticos da embaixada americana. Ele queria saber quem era ela, quais eram suas motivações e se a decisão do Supremo de autorizar, por liminar, a interrupção da gestação no caso de anencéfalos (fetos sem cérebro) poderia significar a liberalização do aborto no Brasil. Reiter disse que a notícia repercutiu nos Estados Unidos e precisava abastecer o governo Bush de informações. A resposta à primeira pergunta do americano é que Debora é a principal estrategista da articulação junto à Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde (CNTS) que resultou na instalação do aborto no topo da agenda nacional. A liminar do Supremo foi o ápice de uma delicada arquitetura política iniciada anos antes. Nela, Debora sofreu uma perseguição religiosa que levou a sua demissão da Universidade Católica de Brasília - decisão que provocou protestos da Sociedade Americana para o Progresso da Ciência. Intelectual que fala seis línguas, entre elas o japonês, Debora traz ao debate um modo inédito de tratar a questão do aborto e torna-se o principal nome da nova geração de feministas.

Trajetória acadêmica
Doutora em Antropologia, professora da Universidade de Brasília (UnB)
Atuação
Diretora do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis), da Associação Internacional de Pesquisas Feministas para a Bioética e da Associação Internacional de Bioética. Publicou quatro livros, tem seis prêmios por pesquisas
ÉPOCA - O debate do aborto sempre se polarizou no tudo ou nada. Levar a questão da anencefalia para a agenda nacional foi um atalho?
Carlos Augusto Montenegro - São fotografias de momentos diferentes. Debora Diniz - Essa questão surgiu da vida real, das mulheres que se viam duplamente torturadas: pela gravidez e pela polêmica do aborto. O debate polarizado, de um lado a idéia de que o corpo pertence às mulheres, das feministas, e de outro o direito potencial à vida do feto, da Igreja, é interminável porque são posições de fé. A anencefalia do feto é exemplar para colocar em xeque os limites dessa argumentação.

ÉPOCA - Nos dez anos que você trabalha com esse tema, teve algum dilema moral?
Debora - Eu temia que a interrupção da gestação por anencefalia pudesse ser prejudicial para os deficientes. Só fui solucionar esse dilema em 2001, quando participei de um programa nos EUA sobre os desafios da deficiência e da Justiça. Esse programa era coordenado por duas grandes teóricas americanas. Uma delas era Anita Silvers, filósofa e deficiente física. A outra, Eva Kittay, filósofa, cuidava de uma filha com paralisia cerebral grave. A minha apresentação era a penúltima e eu não sabia como fazê-la. Anita percebeu minha tensão e fomos conversar à beira de um lago, em Nova York. Falei que eu estava com medo de que repercutisse nos deficientes. Ela disse: 'Você não está falando de mim em seu debate, está falando de alguém que não está entre nós. Olhe ao redor, não há pessoas anencéfalas no mundo. É um desrespeito à comunidade deficiente nos comparar aos anencéfalos'. Isso foi decisivo. Tenho uma foto desse momento na porta de minha geladeira. Olho para ela todos os dias.

ÉPOCA - Quando se manifestou contra a decisão do Supremo, a CNBB igualou os anencéfalos a deficientes...
Debora - Não sei que fiéis a CNBB acha que está representando quando fala isso, mas tenho certeza de que não fala pela massa de católicos. É uma posição fundamentalista, de quem não consegue repensar seus dogmas. Quando dizem que anencéfalos são deficientes, estão fazendo um desserviço. O centro da luta dos deficientes é o direito à cidadania. Na anencefalia estamos falando de alguma coisa que jamais vai chegar a ser alguém, portanto nunca vai poder pleitear o seu direito de estar no mundo. Então, por que torturar espiritualmente essas mulheres dizendo que isso é pecado?

ÉPOCA - Você sofreu alguma crítica por parte de correntes feministas que acreditam que a luta do aborto só pode ser a da liberação total?
Debora - Nós, da Anis, ouvimos, em alguns momentos, que tínhamos de largar essa causa, porque ela significava desmobilização e concessão. Nós sempre achamos que precisávamos ter estratégias para não esbarrar no tudo ou nada. Achamos que há momentos de ruptura, mas são raros. Grande parte do tempo estamos tentando dialogar. Numa das reuniões em que defendíamos o ponto de vista da anencefalia, uma feminista importante me disse que eu fazia parte da geração do medo. E que elas eram da geração da coragem. Esse foi um embate em minha própria comunidade. Crescemos juntas e hoje as feministas estão unidas em torno do Supremo. Ou reconhecemos que as crenças das pessoas são importantes e as levamos a sério ou saímos perdendo. Na lógica desse processo está a necessidade de reconhecer no outro alguma possibilidade de encontro de horizontes. Ou quem ganha o embate é a força. E eles sempre são mais fortes que nós.

19/05/2010

Portugal aprova casamento homossexual



Belém promulga diploma do casamento homossexual

O Presidente da República anunciou esta segunda-feira a promulgação do diploma que institui o casamento entre homossexuais. Ao revelar a sua decisão, Cavaco Silva lamentou que "não tenha havido vontade política" para um consenso alargado "sobre matéria de tão grande melindre" e argumentou que um veto "desviaria a atenção dos agentes políticos dos problemas que afectam gravemente a vida das pessoas".

"Há momentos na vida de um país em que a ética da responsabilidade tem de ser colocada acima das convicções pessoais de cada um". Foi esta a frase que precedeu o anúncio da promulgação do diploma que alarga aos casais homossexuais o acesso ao casamento civil. O Código Civil define, de ora em diante, o casamento como "o contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida". Cai a fórmula "duas pessoas de sexo diferente".

No momento de comunicar a sua decisão ao país, o Presidente da República deixou vincado que mantém as reservas que o levaram a suscitar a fiscalização preventiva da constitucionalidade das normas de quatro artigos do diploma. A luz verde do Tribunal Constitucional foi conhecida em Abril. "Tudo indica", reconhece agora Cavaco Silva, que "as forças políticas que o aprovaram voltariam a aprová-lo": "Nessas circunstâncias, o Presidente da República seria obrigado a promulgá-lo no prazo de oito dias".

"Sendo assim, entendo que não devo contribuir para arrastar inutilmente este debate, o que acentuaria as divisões entre os portugueses e desviaria a atenção dos agentes políticos da resolução dos problemas que afectam gravemente a vida das pessoas. Como Presidente da República, não posso deixar de ter presente os milhares de portugueses que não têm emprego, o agravamento das situações de pobreza, a situação que o país enfrenta devido ao elevado endividamento externo e outras dificuldades que temos de ultrapassar", advogou o Chefe de Estado.

Diploma aprovado em Fevereiro

O diploma agora promulgado por Belém partiu de uma proposta do Executivo. Foi aprovado pela Assembleia da República, em votação final global, a 11 de Fevereiro, reunindo os votos favoráveis de PS, Bloco de Esquerda, PCP e PEV. O CDS-PP votou contra. Na bancada social-democrata houve liberdade de voto, com seis deputados do PSD a absterem-se e os demais a votarem contra a alteração da definição de casamento instituída no Código Civil. O diploma mereceu também os votos contra de duas deputadas independentes eleitas nas listas socialistas.

O articulado veda, contudo, a adopção a casais homossexuais casados: "As alterações introduzidas pela presente lei não implicam a admissibilidade legal da adopção, em qualquer das suas modalidades, por pessoas casadas do mesmo sexo".

Na sua declaração ao país, Cavaco Silva lamentou que a Assembleia da República não tenha aprovado uma solução jurídica de maior consenso para as uniões entre homossexuais e com uma designação diferente do casamento. Bastava, no entender do Presidente, "ter olhado para as soluções jurídicas encontradas em países como a França, a Alemanha, a Dinamarca ou o Reino Unido, que, como é óbvio, não são discriminatórias e respeitam a instituição do casamento enquanto união entre homem e mulher".

Belém critica partidos "que aprovaram o diploma"

"É de lamentar que não tenha havido vontade política para alcançar um consenso partidário alargado sobre matéria de tão grande melindre de modo a evitar clivagens desnecessárias na sociedade portuguesa. Face à grave crise que o país atravessa e aos complexos desafios que tem à sua frente, importa promover a união dos portugueses e não dividi-los, adoptar uma estratégia de compromisso e não de ruptura", sublinhou Cavaco Silva.

Em seguida o Presidente da República assinalou que as "forças partidárias que aprovaram o diploma não quiseram ponderar um princípio elementar da acção política numa sociedade plural, o de escolherem, de entre as várias soluções jurídicas, aquela que fosse susceptível de criar menos conflitualidade social ou aquela que pudesse ser aceite pelo maior número de cidadãos, fosse qual fosse a sua visão do Mundo".

Cavaco recuperou ainda a sua mensagem de Ano Novo, na qual alertou para "o momento muito difícil em que Portugal se encontra e disse mesmo que podíamos caminhar para uma situação explosiva". "E disse também que não é tempo de inventarmos desculpas para adiar a resolução dos problemas concretos dos portugueses", recordou.

Fonte: RTP (Rádio e Televisão Portuguesa)

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Enquanto isso no Brasil, Lula assina o decreto firmando o dia 19-05 como dia nacional e combate à Homofobia....

Documentário Positivas - Não Perca!

Positivas - o filme que desvenda a realidade das mulheres que vivem com HIV - tem pré-estréia em Porto Alegre
SOMOS promove pré-estréia do filme Positivas com a presença da diretora e uma das protagonistas

No próximo dia 20 de maio, quinta-feira, às 19h na Sala P.F. Gastal, na Usina do Gasômetro, será realizado o pré-lançamento do documentário de longa-metragem "POSITIVAS", dirigido por Susanna Lira.
Trata-se da história de sete mulheres que se infectaram com o vírus da aids através de seus maridos ou parceiros fixos. O documentário desvenda o véu de silêncio e hipocrisia que assola os laços do matrimônio. As personagens são Ana Paula Prado Silveira, Cida Lemos, Heli da Silva Cordeiro, Michelle Silva Caires, Rosária Piris Rodriguez, Silvia Aparecida Domingues de Almeida e Maria Medianeira Gonçalves de Mello. Sendo a última, gaúcha, moradora do Município de Viamão e precursora da Associação Medianeira de Apoio à Vida, que existe há 10 anos.

O filme tem o apoio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, pelo Ministério da Saúde e pelo Unaids. Produção Modo Operante. Após a exibição, debate com a diretora e com Maria Medianeira, gaúcha e uma das personagens do filme.

A Diretora Susanna Lira
Formada em jornalismo e publicidade, com especialização em telejornalismo, direção de documentários e programas de TV. Atua no mercado audiovisual desde 1994, tendo realizado diversos trabalhos e exercido funções distintas para os seguintes veículos de comunicação: TV GLOBO, GLOBONEWS, MULTISHOW, GNT, FUTURA, TV CULTURA, TV EDUCATIVA E MTV. Dirigiu e roteirizou o documentário em longa-metragem NADA SOBRE MEU PAI, sobre a questão da ausência paterna no Brasil, que ainda está em filmagem.

A Aids hoje entre mulheres
O filme também serve de alerta para as mulheres de todas as idades, pois se por um lado as mulheres casadas e com parceiros fixos se colocam em risco, por todas as crenças que envolvem uma relação a dois, as mais jovens, independente de estarem "ficando" ou namorando, também estão mais vulneráveis. O número de casos de aids registrados entre jovens de 13 a 19 anos do sexo feminino é seis vezes maior do que em rapazes da mesma idade, apontam os números do Ministério da Saúde.

A velocidade de crescimento da infecção entre as mulheres já é nove vezes maior do que entre os homens. Para cada 1,8 homem infectado há uma mulher com o HIV.

O Rio Grande do Sul é hoje o Estado mais problemático do país, uma vez que ocupa o primeiro lugar do ranking com a maior incidência de aids entre os Estados brasileiros, apresentando o maior número de casos por 100 mil habitantes, segundo dados publicados pelo Ministério da Saúde no último boletim epidemiológico, em novembro de 2009.

No Brasil, cerca de 80 mil mulheres brasileiras são HIV positivo, número que corresponde a quase 30% do total de casos registrados desde a década de 80.

7 mulheres de verdade

O mérito do filme está na força dos depoimentos das sete mulheres e no modo como elas enfrentam o estigma de serem portadoras do HIV.

Elas repetem, uma depois da outra, porque nunca pediram que o namorado ou o marido usasse camisinha. "A gente acha que o amor imuniza", resume Heli. Dona de casa, moradora do subúrbio carioca de Piedade, Heli descobriu da pior forma possível que o amor não é tão poderoso assim. Depois de 31 anos de casada, só soube que o marido tinha aids quando ele já estava à beira da morte. Nem bem se refez do susto, descobriu que estava contaminada com o HIV. Convive com o vírus há 14 anos.

Não há médicos ou psicólogos no filme. "A voz da ciência já foi ouvida. O filme é a chance de o público ouvir experiências de verdade", define Susanna. Para fazer "Positivas", ela passou um ano frequentando grupos de apoio a mulheres com HIV. Viajou por várias capitais, conversou com mais de 30 mulheres até definir suas "atrizes".

Cida Lemos, (foto) com 57 anos, jornalista também é uma das protasgonistas, além de ter capineado os contatos para formar o elenco. Ela também é cega, em decorrência de uma doença oportunista, e tem muito a ensinar. "Quando estamos dispostos a nos relacionarmos sexualmente encontramos muitas dificuldades. Os cegos não podem ir a qualquer lugar, sem saber onde estão, nem levar um desconhecido para casa. Diante de tantas outras preocupações, como a segurança, a sexualidade e a prevenção acabam ficando em segundo plano", explicou a ativista.

Fonte: Somos
http://positivasofi lme.blogspot. com/

Plano de saude incluira parceria de mesmo sexo

14.05.10 - Com a edição da Súmula Normativa nº 12, editada pela Agência Nacional de Saúde (ANS), os casais do mesmo sexo poderão incluir o parceiro como dependente em seu plano de saúde. Caberá às operadoras dos convênios a definição da forma de comprovação a ser apresentada pelos interessados.

A mudança é um pleito antigo de casais homossexuais que muitas vezes eram obrigados a fazer dois planos de saúde para uma mesma família. A nova norma da ANS define como companheiro beneficiário de titular de plano privado de assistência à saúde tanto pessoas do sexo oposto como os do mesmo sexo.

A ANS publicou uma súmula normativa, que obriga a todas as operadoras a adotarem as novas orientações. Segundo a agência, a alteração baseia-se no novo Código Civil,  que entrou em vigor em 2003, e na Constituição, que prevê como objetivos fundamentais "promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação".

Conforme divulgou a ANS, as disposições legais e constitucionais que protegem a união estável entre homem e mulher aplicam-se, por analogia, à união estável homossexual. Sendo assim, serão observados os mesmos requisitos para admissão, na qualidade de dependente, de companheiro ou companheira que comprove união estável com o titular do plano. Caberá às operadoras de planos de saúde a definição da forma de comprovação a ser apresentada pelos interessados.
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Professora é demitida em Minas por cartaz com beijo lésbico

Terça, 18 de maio de 2010, 14h07 Atualizada às 19h53 Professora é
demitida em Minas por cartaz com beijo lésbico

Ana Cláudia Barros

Um cartaz, com a insinuação de duas mulheres se beijando, provocou polêmica
em uma faculdade particular em Muriaé, na Zona da Mata mineira. A peça seria
usada para divulgar a 7ª Semana Acadêmica do Serviço Social, realizada pela
FAMINAS, mas foi vetada pela instituição, conforme o presidente do Movimento
Gay de Minas, Marco Trajano, que acompanha o caso.

De acordo com ele, a coordenadora do curso de Serviço Social, responsável
pela organização do evento, não aceitou a determinação da direção da
faculdade, que propôs a alteração do cartaz. A docente, segundo Trajano,
alegou que a ordem feria o código de ética da profissão, e decidiu cancelar
o encontro, cujo objetivo seria discutir movimentos sociais e excluídos.
Homofobia figurava entre os temas da pauta. A professora foi demitida.

- Ela disse que ou o cartaz iria daquele jeito ou a semana seria cancelada.
Falou, ainda, que iria comunicar aos alunos o que estava acontecendo. E foi
o que ela fez. No dia seguinte, foi demitida - conta o presidente do MGM.

Em nota de esclarecimento, divulgada hoje, a assessoria de comunicação da
FAMINAS se limitou a afirmar que as atividades culturais, de pesquisa e de
extensão fomentadas pela instituição "se pautam no respeito à diversidade,
na busca constante da diminuição das distâncias sociais." Informou, ainda,
que, diante do cancelamento, o evento será remarcado para o segundo
semestre.

Questionada sobre o caso e os motivos que levaram à demissão da coordenadora
do curso de Serviço Social, a assessoria comunicou que somente o procurador
da instituição, Eduardo Goulart, estava habilitado para falar sobre as
questões referentes à FAMINAS, e que ele estava viajando.

*Alvo da polêmica*

O cartaz recusado era, na verdade, a reprodução da capa da agenda 2010 do
Conselho Federal de Serviço Social, em que aparecem, ainda, a imagem de um
negro, um índio, um trabalhador sem-terra, um cadeirante. Para o presidente
do MGM, o caso é uma demonstração explícita de demagogia.

- A faculdade se propõe a discutir a homossexualidade numa mesa, mas não se
propõe a combater a homofobia de fato. É preconceituosa, e mais do que isso,
como todo bom preconceito hoje, ainda é covarde, porque não assume de fato a
posição que teve nos bastidores em relação a esse evento. Por outro lado,
temos um ponto positivo, que foi a posição da professora, que se mostrou
extremamente ética e, mais ainda, a posição dos alunos, tanto da psicologia
quanto do serviço social, que denunciaram a discriminação.

Trajano adianta que o Movimento Gay de Minas encampará três ações como forma
de repúdio ao episódio.

- A primeira delas é interpelar a FAMINAS, através da Lei 14.170, que é a
lei de combate à homofobia do estado de Minas Gerais. Sendo uma
personalidade jurídica, vamos questioná-la através dessa lei. A segunda vai
ser uma denúncia junto ao MEC, porque essa postura é contrária às
orientações do Plano Brasil sem Homofobia, do qual o MEC tem uma série de
ações voltadas para o combate da homofobia. A terceira será um beijaço, no
próximo dia 31, em frente à faculdade. Vamos levar um ônibus. Ainda não
sabemos se vamos alugar um pequeno trio elétrico ou um carro de som, mas
imagino umas 80 pessoas no beijaço. Já que não pode no cartaz, a gente vai
ao vivo.

Terra Magazine

13/05/2010

SENALE e a CARTA A PORTO VELHO

Reunidas em Porto Velho, de 07 a 12 de maio, lésbicas brasileiras escrevem a Carta a Porto Velho:

CARTA PORTO VELHO
Marcada pela histórica estrada de ferro Madeira – Mamoré, à beira das caudalosas águas do Rio Madeira, os ventos levam folclóricas lendas indígenas como as da Iara, do Boto e do Mapinguari. A poderosa natureza vibra diante das Três Marias, o caldeirão cultural efervesce entre os bairros Esperança da Comunidade e Socialista, pois soam os gritos e as rebeldias de mulheres lésbicas e bissexuais das cinco macrorregiões do Brasil, e assim, diante do sentimento de “Unificação, Fortalecimento e Visibilidade”, realizamos, em Porto Velho – a cidade da Amazônia Ocidental – entre os dias 07 e 11 de maio de 2010, o VII Seminário Nacional de Lésbicas e Mulheres Bissexuais (SENALE).
Há mais de 30 anos nós lésbicas e mulheres bissexuais nos organizamos para a construção de um projeto político coletivo que visibilize nossas reivindicações. Construímos 07 seminários nacionais (SENALE), o primeiro no ano de 1996, na cidade do Rio de Janeiro, sempre na lógica do fortalecimento interno e do crescimento da solidariedade entre ativistas políticas que compõem hoje o movimento de lésbicas e mulheres bissexuais brasileiras, pautadas pelos princípios da ética, da responsabilidade, do respeito, da solidariedade, da horizontalidade, da circularidade, da transparência, do combate ao racismo e todas as formas de opressão, da inclusão e da generosidade elencadas no pacto lésbico feminista, referendadas neste encontro de 2010.
Apesar dos avanços em nossa organização através dos movimentos de caráter nacional, estadual e local, e da forma como atuamos pautando as demandas específicas em conferências, conselhos e grupos de trabalho técnicos constituídos pelos governos, ainda vivemos em uma situação de lesbofobia estatal e institucional, não sendo reconhecidas como sujeitas de direitos e consequentemente, invisibilizadas nas políticas públicas e pelo sistema político.
As transformações ocorridas no mundo, nos planos econômico, social, cultural, político e tecnológico têm acentuado um processo crescente de globalização cuja matriz neoliberal potencializa opressões, contradições e desigualdades sociais.
Os fundamentalismos religiosos, econômicos, políticos e sociais historicamente enraizados em suas múltiplas faces na sociedade, têm contribuído significativamente para a dominação, subordinação e mercantilização do corpo das mulheres, para a não pluralidade, para a criminalização dos movimentos sociais, para o esvaziamento das identidades políticas, naturalizando um processo hegemônico de preconceitos, violências e de opressão.
Acreditamos na necessidade de um projeto político de lésbicas feministas baseado verdadeiramente na autonomia, na liberdade, na autodeterminação e em uma construção coletiva e horizontal, rompendo com as práticas machistas, patriarcais, misóginas, classistas, racistas e, principalmente, lesbofóbicas, homofóbicas e transfóbicas. Consideramos como necessária a desconstrução da heterossexualidade obrigatória e o fim de todas as formas de opressão e violência praticada contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.
Ademais, identificamos no próprio movimento LGBT (lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) práticas que reproduzem e reforçam o engessamento do processo político no movimento, conforme ocorrido na I Conferência Nacional LGBT, onde travestis, transexuais, mulheres bissexuais e lésbicas perderam espaço e representatividade pela utilização do pseudo discurso de defesa da paridade de gênero, retrocedendo nos avanços contra-hegemônicos da construção das identidades políticas como instrumento de visibilidade e democracia participativa.
A situação de violação dos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais são alarmantes. A criminalização da homossexualidade ocorre em 75 países do mundo. No continente americano, a situação mais grave está na América Central onde a penalização transita acima de 10 anos a prisão perpétua.
As discussões acerca da penalização da homossexualidade em Uganda, as recentes torturas ocorridas contra as lésbicas na Argentina, os estupros coletivos e corretivos nos países islâmicos e outros países do mundo, são reflexos da imposição da heterossexualidade.
A interferência do Brasil é determinante, pois é inegável a sua atuação e influência na pauta dos direitos humanos mundial, por isso reforçamos e exigimos do governo brasileiro, como liderança reconhecida internacionalmente, um posicionamento político contra qualquer tipo de violação aos direitos humanos, principalmente afirmando a sua indignação com as violências cometidas contra a população LGBT.
No Brasil, a Lei Maria da Penha se tornou um marco legal para os direitos de lésbicas e mulheres bissexuais, tornando-se uma referência legitima enquanto marco político. Porém, expressamos nossa preocupação quanto ao sucateamento da lei e a ausência de políticas públicas que considerem a violência doméstica e familiar entre e contra lésbicas e mulheres bissexuais, reforçadas pelo projeto hegemônico de sociedade.
O PLC 122/06 se tornou ponto principal dos debates públicos pela conquista da cidadania plena LGBT e com isso, propiciou que a sociedade brasileira entrasse para as discussões ditas polêmicas, instrumentalizadas pelas religiões conservadoras e fundamentalistas, como alguns setores das igrejas evangélica e católica.
Esse contexto reflete nas casas legislativas, como o Congresso Nacional, onde diversos projetos que visam a garantia da cidadania LGBT estão em tramitação, porém inertes à vontade religiosa dos políticos desse país, que fere profundamente a laicidade do Estado prevista na Constituição Federal.
Isso nos faz questionar qual modelo de Estado estamos construindo. O que demonstra a fragilidade da garantia do Estado Laico brasileiro e consequentemente, a omissão dos poderes judiciário, legislativo e executivo no processo de interferência das religiões na construção de políticas públicas que efetivem a cidadania LGBT.
Apesar da Constituição Federal, em seu artigo 5°, garantir direito igualitário a todas as pessoas, da Lei 70.434 de 20 de novembro de 1985, que inclui entre as contravenções penais as práticas de atos racistas e da lei 10.639/2003 que torna obrigatória o ensino das histórias da áfrica e afrobrasileira, o racismo institucional e estrutural permeia as nossas relações cotidianas causando tripla discriminação as lésbicas e mulheres bissexuais negras, e nesse sentido é de suma importância trabalhar o enfrentamento do racismo, lesbofobia e da misoginia se constituindo como pautas obrigatórias em todas as agendas políticas.
Por isso reafirmamos a importância da garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, da luta antirracista, anticapitalista, antissexista, da autonomia das mulheres e seus corpos, da legalização do aborto, do respeito à autonomia e responsabilidade das crianças e adolescentes no desenvolvimento e exercício de sua sexualidade, da adoção e da união civil entre pessoas do mesmo sexo, do direito à memória e à verdade como alguns deles manifestados nas diretrizes do PNDH-3 (Plano Nacional de Direitos Humanos).
Somos negras, brancas, idosas, jovens, pobres, ricas, adolescentes, com deficiência, vivendo com HIV/Aids, ciganas, indígenas, mulheres comuns, anônimas, famosas, religiosas ou não, trabalhadoras, pesquisadoras, desempregadas, mães, filhas, avós, obesas ou magras, somos mulheres que estão e vivenciam os campos e as cidades. E situadas nessa diversidade de identidades, mundos e olhares acreditamos e lutamos por uma sociedade livre de preconceitos, discriminações e com justiça social.
VII SENALE – SEMINÁRIO NACIONAL DE LÉSBICAS E MULHERES BISSEXUAIS

05/05/2010

LBL atua no Conselho Nacional de Saúde

Esta foi a primeira conquista da comissão de saúde LGBT, coordenada pela companheira Carmen Lucia Luis/LBL-SC e deliberada no pleno do CNS em novembro de 2009.
Na reunião da comissão de saúde LGBT, em fevereiro/2010, uma das estratégias apontadas é comprometer os gestores municipais e estaduais para que implementem esta política nos estados e municípios. Com este objetivo sugerimos e foi aprovado no pleno do CNS com o apoido do CONASEMS - Conselho Nacional Nacional de Secretarios Municipais de Saúde, a realização da oficina "diversidade de sujeitos e igualdade de direitos no SUS" durante o Congresso Nacional do CONASEMS, no final de maio em Gramado/RS.
É fundamental que esta política seja também apresentada e deliberada nos conselhos estaduais e municipais de saúde visando sua implementação em todo o país.

Porto Velho sedia o VII SENALE – Seminário Nacional de Lésbicas e mulheres Bissexuais.

 Após termos participado na semana passada (27 a 30 de Abril), em Brasília, do I Seminários Nacional de Gestores e Trabalhadores contra a Homofobia e, na sequência (01 e 02 de Maio), de uma reunião nacional da LBL em SP, nos preparamos, agora, para a participação no SENALE, maior encontro de Lésbicas do Brasil.
Não concordamos de fato, com muitas coisas durante o processo de organização do evento, mas sabemos na importância do SENALE, o que nos fez participar dos esforços em BSB para liberação das verbas que possibilitariam o deslocamento das companheiras contempladas com bolsas.
A LBL-RS vai estar no SENALE, defendendo as bandeiras da democracia e da ampla participação de todas as lésbicas no debate.
Abaixo matéria da Comissão Organizadora do VII SENALE:
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Porto Velho sedia o VII SENALE – Seminário Nacional de Lésbicas e mulheres Bissexuais.
 
Nos próximos dias 07 a 11 de maio, em Porto Velho acontecerá o VII SENALE, este evento de âmbito Nacional, tem por finalidade reunir e capacitar lideranças de todo o território nacional além de promover o debate sobre as especificidades desta parcela da população brasileira, entre os temas estão: combate a violência, racismo e machismo, além de educação, saúde e cultura.  Esses debates visam contribuir na construção de políticas públicas para esta população.
Mulheres lésbicas e bissexuais reuniram-se pela primeira vez em 1996, na cidade do Rio de Janeiro, onde se estabeleceu o 29 de agosto como dia nacional da visibilidade lésbica, depois em 1997, na cidade de Salvador\BA; em 1998 – Betim\ Minas Gerais; em 2001 – Aquiráz\CE;em 2003 – São Paulo; 2006 – Recife\PE.
Agora inusitadamente, em Porto Velho\RO. O que se pode considerar uma característica deste Estado, em se tratando de região norte, em 1996 realizou-se nesta capital o 1º encontro de lésbicas e mulheres bissexuais da região norte, que contou com a participação de representantes dos sete Estados da região norte, em 2008, houve a execução do Projeto SOMO-LÉS\Norte, que promoveu a capacitação de lésbicas e mulheres bissexuais em Advocacy, Organização institucional e interação com o movimento nacional, e em 2009 houve o Encontro Estadual de lésbica e mulheres bissexuais de Rondônia, além de duas caminhadas de mulheres que amam mulheres.
O VII SENALE tem como temário “unificação, Fortalecimento e visibilidade”, é uma realização da Universidade Federal de Rondônia e conta com o apóio da Secretaria Estadual de Ação Social do Estado de Rondônia; Fundação Cultural Iaripuna; Ministério da Saúde, Secretaria Especial de promoção da igualdade racial e outros partícipes. Com o financiamento da Secretaria de Direitos Humanos da presidência da República e da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres e a execução do Centro de Estudos e pesquisas Jurídicas da Amazônia – CEJAM e a Comissão Porto Diversidade.
Este temário vem da necessidade de visibilizar esta população, que no real, é  negado o seu reconhecimento como cidadã, em todos os âmbitos no que se refere à gestão pública, seja na saúde, na educação, justiça, enfim não há uma preocupação com esta população brasileira, eventos assim  aproximam e  fortalecem,  movimentos transformadores que buscam uma sociedade mais justa, sem machismo, sem racismo, sem lesbofobia e mais igualitária. O cotidiano e a educação preconceituosa e racista predominante em nossa sociedade constroem estigmas cruéis e condicionantes. O estigma se constitui como uma das mais significativas formas de violação dos direitos humanos das mulheres no Brasil. Para a população de lésbicas e mulheres bissexuais, o estigma tem se tornado um vilão, que não só invisibiliza essas mulheres, mas que principalmente, é uma das principais causas de violência. Segundo dados da Anistia Internacional (2006), lésbicas e mulheres bissexuais são as que mais sofrem violência no mundo, pois associa gênero com orientação sexual. E com base no acima exposto a partir desta sexta feira o Brasil estará reunido em Porto Velho e discutindo Políticas Públicas e dando visibilidade a lésbicas e mulheres bissexuais, mais uma vez, esta capital e este Estado prova pra o resto do País que é sensibilizado e busca a implantação da política de direitos humanos, para juntos construirmos a sociedade rondoniense sem estigmas, sem opressões, com liberdade valorizando a democracia e estabelecendo a cidadania de todos e de todas.
 
A\C- VII SENALE

04/05/2010

O superior interesse reconhecido por um tribunal superior

    Por Maria Berenice Dias 
    Advogada - Vice-Presidente Nacional do IBDFAM -
www.mbdias.com.br

A Constituição Federal considera a família a base da sociedade, a merecer a especial proteção do Estado (CF 226). Não é por outro motivo que assegura a crianças e adolescentes, com absoluta prioridade, um punhado de direitos fundamentais, entre eles, o direito à convivência familiar (CF 227).
Certamente esta foi uma das razões que levou um casal de mulheres, que desejavam realizar o sonho da maternidade, a resgatar dois irmãos, cujos pais haviam sido destituídos do poder familiar e que se encontravam abrigados à espera de um lar.
O temor de não ser admitida a dupla habilitação fez com que somente uma delas pleiteasse a adoção, sem revelar a natureza homoafetiva da família que os filhos iriam integrar. Deferida a adoção, a falta de vínculo jurídico de uma das mães com os filhos encorajou-a a pleitear em juízo o reconhecimento da filiação estabelecido entre eles. Afinal queria assumir todos os encargos decorrentes do poder familiar de modo a que a prole não ficasse alijada de direitos com relação a uma das mães pela inexistência de certificação registral. Comprovada a filiação socioafetiva com as duas mães, o magistrado acolheu a ação admitindo a dupla maternidade. Com certeza era a única forma de dar efetividade ao comando constitucional de assegurar-lhes proteção integral.
No entanto, alegando exatamente afronta ao mesmo princípio, o Ministério Público recorreu da sentença visando impedir que o registro de nascimento das crianças retratasse a realidade da vida, ou seja, que elas de fato tinham duas mães.
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, em decisão inédita, negou o recurso mantendo a sentença e o direito da cons tituição do duplo vínculo de filiação. Mais uma vez o Ministério Público recorreu. Alegando desrespeito a normas legais e constitucionais, interpôs recurso especial perante o STJ e recurso extraordinário junto ao STF. Dois recursos e um único fundamento: nem a lei e nem a Constituição reconhecem as uniões de pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. Deste modo, admitir que crianças e adolescentes tenham duas mães afrontaria o princípio da proteção integral.
De forma corajosa e absolutamente inovadora, a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça rejeitou o recurso reafirmando o entendimento já consolidado na Corte: nos casos de adoção, deve prevalecer sempre o melhor interesse da criança. Disse o Relator, Ministro Luis Felipe Salomão: este julgamento é muito importante para dar dignidade ao ser humano, para o casal e para as crianças. O Presidente da Turma julgadora, Ministro João Otávio de Noronha destacou: Nestes casos, há de se entender que o interesse é sempre do menor, e o interesse dos menores diante da melhoria da situação social é a adoção.
Deste modo, a partir da diretriz ditada pelo Superior Tribunal de Justiça perdem significado as preconceituosas tentativas do legislador de proibir a adoção por homossexuais. Os projetos de lei neste sentido estão maculados de flagrante inconstitucionalidade exatamente por afrontarem o princípio do melhor interesse de crianças e adolescentes que preserva o direito à convivência familiar com absoluta prioridade.
E, enquanto não existir lei reconhecendo o direito à convivência familiar independente da orientação sexual, cabe aos juízes atentar ao que afirmou o Ministro João Otávio de Noronha no referido julgamento: Não estamos invadindo o espaço legislativo. Não estamos legislando. Toda construção do direito de família foi pre toriana. A lei sempre veio a posteriori.
Esta é a responsabildiade do Poder Judiciário que não pode condenar ninguém à invisibilidade pela absoluta inércia preconceituosa do legislador. Mais uma vez a Justiça cumpre com o seu papel de fazer justiça.

03/05/2010

CNBB critica decisão que permite adoção de crianças por gays

COMENTÁRIO DA LBL:
Pois é: e onde está a nota que critica a pedofilia na igreja católica? Ou o abandono de crianças (geradas por "casais" héteros)? Ou o descaso do estado com estas crianças?
SANTOS HIPÓCRITAS!
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CNBB critica decisão que permite adoção de crianças por gays

JOHANNA NUBLAT
LARISSA GUIMARÃES
da Sucursal de Brasília

A adoção por casais gays, direito reconhecido em decisão inédita anteontem pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), tira da criança a possibilidade de crescer em um ambiente familiar formado por pai e mãe, afirma o padre Luiz Antônio Bento, assessor da comissão para vida e família da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Beneficiado, casal gay diz que lutou pelos filhos
Decisão do STJ abre precedente jurídico
Casal homossexual pode adotar criança, decide STJ

Nem sempre o que é legal é moral e ético, afirma ele. "Cremos que a questão da adoção por casais homossexuais fere o direito da criança de crescer nessa referência familiar." Para padre Bento, as crianças têm o direito de conviver com as figuras masculina e feminina no papel de pais.

A decisão do STJ tratou do caso específico de duas mulheres de Bagé (RS) e pode influenciar processos futuros. O caso será analisado pelo Supremo Tribunal Federal.

O pastor Paulo Freire, presidente do conselho de doutrina da igreja evangélica Assembleia de Deus, tem posição semelhante a do padre Bento. "A criança precisa da figura do pai e da mãe para entender a vida", afirmou.

Para Freire, a instituição não é contra homossexuais. "Somos contra o casamento deles." Continua e diz que a existência de dois pais ou duas mães confunde a criança sobre as figuras tradicionais da paternidade.

"Se a criança não tem um pai e vive só com a mãe, sabe, mesmo assim, o que é a figura do pai. O casal homossexual que adota, foge disso", diz o pastor.

A FEB (Federação Espírita Brasileira) discorda de que a adoção por um casal gay pode ter efeitos negativos sobre a criança. "O mais importante em termos de educação e família é o amor. Com ele, não se entra na questão da sexualidade", disse Geraldo Campetti, diretor-executivo da FEB.

Para Campetti, o importante é a preservação da família e a formação do caráter. "O maior problema das uniões é a promiscuidade, tanto em relações entre homem e mulher quanto em relações entre pessoas do mesmo sexo."

Para Toni Reis, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), as críticas à decisão do STJ incitam o preconceito. "Casais de homem e mulher com filhos representam hoje 50% das famílias. Filhos criados com avó, pais e mães solteiros... todos, então, têm problemas?", critica.

Divulgação da Campanha de Saúde das Mulheres Lésbicas

 DECISÃO

STJ mantém adoção de crianças por casal homossexual (versão atualizada)

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu hoje uma decisão inovadora para o direito de família. Por unanimidade, os ministros negaram recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul e mantiveram a decisão que permitiu a adoção de duas crianças por um casal de mulheres.

Seguindo o voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, a Turma reafirmou um entendimento já consolidado pelo STJ: nos casos de adoção, deve prevalecer sempre o melhor interesse da criança. " Esse julgamento é muito importante para dar dignidade ao ser humano, para o casal e para as crianças", afirmou.

Uma das mulheres já havia adotado as duas crianças ainda bebês. Sua companheira, com quem vive desde 1998 e que ajuda no sustento e educação dos menores, queria adotá-los por ter melhor condição social e financeira, o que daria mais garantias e benefícios às crianças, como plano de saúde e pensão em caso de separação ou falecimento.

A adoção foi deferida em primeira e segunda instâncias. O tribunal gaúcho, por unanimidade, reconheceu a entidade familiar formada por pessoas do mesmo sexo e a possibilidade de adoção para constituir família. A decisão apontou, ainda, que estudos não indicam qualquer inconveniência em que crianças sejam adotadas por casais homossexuais, importando mais a qualidade do vínculo e do afeto no meio familiar em
que serão inseridas. O Ministério Público gaúcho recorreu, alegando que a união homossexual é apenas sociedade de fato, e a adoção de crianças, nesse caso, violaria uma séria de dispositivos legais.

O ministro Luis Felipe Salomão ressaltou que o laudo da assistência social recomendou a adoção, assim como o parecer do Ministério Público Federal. Ele entendeu que os laços afetivos entre as crianças e as mulheres são incontroversos e que a maior preocupação delas é assegurar a melhor criação dos menores.

Após elogiar a decisão do Tribunal do Rio Grande do Sul, relatada pelo desembargador Luiz Felipe Brasil Santos, o presidente da Quarta Turma, ministro João Otávio de Noronha, fez um esclarecimento: "Não estamos invadindo o espaço legislativo. Não estamos legislando. Toda construção do direito de família foi pretoriana. A lei sempre veio a posteriori", afirmou o ministro.

COMENTÁRIOS DA LBL: A reação dos fundamentalistas religiosos sobre o tema só pode ser entendida por nós como mais uma forma de retirar o foco das denúncias "mundiais" de pedofilia ligadas às igrejas, sobretudo a Católica.

Enquanto eles ficam a fazer manifestações contra nossos avanços, tentam buscar outras polêmicas que virem os refletores para outro segmento que não o deles e a imprensa "isenta" segue a tropa como cordeiro obediente.