10/02/2010

Inédito: atendimento adaptado a mulheres com deficiência

 São Paulo, terça-feira, 09 de fevereiro de 2010


Mamógrafo adaptado para mulher em cadeira de rodas

JULLIANE SILVEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL

O Hospital Municipal Maternidade-Escola de Vila Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo, passará a oferecer, no próximo mês, atendimento especializado para mulheres com deficiência.
A entidade terá camas especiais para exames ginecológicos, um mamógrafo que permite que a mulher se submeta ao exame sem sair da cadeira de rodas e aparelhos que transferem a paciente para o leito. Haverá também um carro elétrico que ajudará as pacientes a subirem as rampas do hospital.

"Há um desamparo muito grande no atendimento médico de mulheres com deficiência física. Muitos hospitais, por melhores que sejam e até mesmo os particulares, não oferecem estrutura. A cadeirante não tem a opção, por exemplo, de usar um aparelho de raio-X móvel, para poder se submeter ao exame sentada", exemplifica Marcos Belizário, secretário da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida.

Gastos
Metade dos gastos com a iniciativa, inédita no Brasil, foram subsidiados pela secretaria. O restante foi obtido por meio de convênio firmado com o Ministério Público Federal para a conversão de multas de empresas que apresentam problemas nas cotas de emprego para deficientes em aparelhos adaptados para o hospital. O investimento até agora foi de R$ 500 mil.

Ainda não há uma estimativa de demanda pelos novos serviços do hospital. "A ideia é fazer dali um centro de excelência, com equipamentos que possam atender à maioria das deficiências. Não temos preocupação com a demanda, apesar de estimarmos que a procura será grande. Se for lá uma única pessoa precisando de atendimento, ou uma centena, haverá a estrutura", afirma o secretário.

A secretaria planeja criar ainda um manual de procedimentos, que aborda aspectos comportamentais e morfológicos das deficiências, para o treinamento de profissionais de saúde do hospital e maternidade.

Até o final de 2010, outros quatro hospitais das outras regiões da cidade (sul, leste, oeste e centro) também receberão equipamentos adaptados para atendimento a deficiências. As entidades ainda não foram escolhidas.

06/02/2010

Com quem o governo dialoga? A quem o governo respeita? Declaração de apoio de Católicas pelo Direito de De cidir ao III PNDH

DECLARAÇÃO DE APOIO DE CATÓLICAS PELO DIREITO DE DECIDIR AO III PNDH

Com quem o governo dialoga? A quem o governo respeita?

Católicas pelo Direito de Decidir vem a público manifestar sua surpresa e indignação frente ao recuo do Governo Federal em relação a posições tomadas anteriormente no III PNDH, resultado de ampla discussão realizada por instâncias governamentais com a sociedade brasileira. Um governo que é respeitado no cenário internacional como democrático e defensor dos DH, dobra-se à pressão política da hierarquia católica, sobrepondo interesses eleitorais à vida das mulheres e à dignidade de pessoas homossexuais.

O III PNDH corajosamente abordou questões complexas que há muito tempo deveriam ser enfrentadas, tais como a autonomia das mulheres para tomar decisões sobre a sua vida reprodutiva, o casamento homossexual e a adoção por casais homoafetivos, bem como as graves questões relativas à distribuição da terra e ao direito de estabelecer a memória e a verdade sobre o período da ditadura militar. O Programa, fiel à separação Igreja-Estado, também evidenciou a inadequação de que símbolos religiosos sejam ostentados em estabelecimentos públicos da União. Não é de menor importância que tais questões ganhem o reconhecimento do Governo depois de ouvir a sociedade brasileira organizada.

Católicas pelo Direito de Decidir que, como parte do povo de Deus, integra a Igreja e está em sintonia com a maioria das mulheres católicas brasileiras, não se identifica com as críticas da CNBB ao III PNDH, além de considerar desrespeitosa e inadequada a identificação do Presidente da República à figura bíblica de um homicida (Herodes).

O Estado, numa sociedade realmente democrática, deve ser laico e não pode se pautar pelas exigências e pressões políticas de nenhuma religião, nem mesmo da religião majoritária. O governo brasileiro, que tem o dever de cumprir acordos internacionais dos quais é signatário (Conferências ONU, OEA e CEDAW), sucumbiu de forma vergonhosa à pressão da CNBB e vai, segundo declarações do Ministro dos Direitos Humanos, retirar do texto final as referências ao aborto como um direito das mulheres.

Católicas pelo Direito de Decidir repudia tanto o intervencionismo autoritário da hierarquia da Igreja, quanto a subserviência do Governo Federal, que visando às eleições, joga no lixo o processo de debate público realizado amplamente com a sociedade brasileira para chegar ao texto do PNDH lançado em dezembro de 2009.

Denunciamos que, mais uma vez, são os direitos das mulheres e de pessoas homossexuais que entram como moeda de troca num contexto de jogo político de forças em que toda a sociedade brasileira perde. Em consonância com inúmeros outros setores da sociedade civil, vimos a público cobrar coerência e consistência do Presidente Lula, do Ministro Paulo Vannuchi e demais setores do governo envolvidos nesse retrocesso frustrante e indigno. Chega de defender o princípio abstrato da vida ao preço da morte de milhares de mulheres.

São Paulo, 03 de fevereiro de 2010
Católicas pelo Direito de Decidir

cddbr@uol.com.br

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Perfeita e corajosa a declaração do Grupo Católicas pelo Direito de Decidir.

Não podemos aceitr o recuo do Governo e devemos exigir por nosso processo de debate todo o respeito que ele merece!
Cumpra-se as indicaçoes do PNDH3!

LBL-RS

05/02/2010

'É lamentável', diz OAB sobre general contrário a gays nas Forças Armadas

Nós, da LBL-RS, consideramos esse pronunciamento para o novo ocupante de uma corte SUPERIOR do Judiciário, um verdadeiro absurdo!
O Primeiro questionamento que fazemos é qual mesmo o papel destas cortes militares, fóruns privilegiados de julgamento entre "iguais"?
Em segundo lugar: este senhor se manifesta, enquanto integrante de uma corporação, publicamente em nome desta corporação, e ao fazê-lo usa de sua idéias e preconceitos pessoais.
Não caberia ao Ministério Público e à própria Presidência da República uma ação neste caso?

Repetiremos sempre: lugar e Gay, de Lésbica, de Trans, de Trava é EM TODO O LUGAR!
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04/02/10 - 11h21 - Atualizado em 04/02/10 - 11h31
'É lamentável', diz OAB sobre general contrário a gays nas Forças Armadas
          Raymundo Nonato de Cerqueira Filho foi indicado para a Justiça Militar.

Em audiência, general disse que tropa não obedece militar homossexual.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou nota nesta quinta-feira (4) na qual condena as declarações do general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, indicado para uma vaga de ministro do Superior Tribunal Militar (STM). Em audiência no Senado na quarta-feira (3), o militar se manifestou contra a presença de homossexuais nas Forças Armadas.

O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, classificou o fato como lamentável. "É lamentável que este tipo de discriminação ainda continue existindo nos dias de hoje nas Forças Armadas brasileiras", disse Ophir.

O presidente da Ordem acrescentou que para a carreira militar o que se deve exigir é disciplina, treinamento e a defesa do país, nos termos da Constituição, independentemente de sua opção sexual. "A defesa do país tem que ser feita por homens e mulheres preparados, adestrados e treinados para este fim, independente da opção sexual de cada um", afirmou.

Durante a audiência na CCJ, o general Cerqueira Filho observou que as atividades desempenhadas pelas Forças Armadas não são adequadas a homossexuais. "Talvez tenha outro ramo de atividade que ele [o militar homossexual] possa desempenhar", afirmou. O militar disse ainda que as tropas não obedecem a comandantes homossexuais.

03/02/2010

Papa ataca projeto que torna ilegal discriminação de homossexuais

 É por essa e por outras que devemos impor ao governo Brasileiro que respeite a Laicidade do Estado e mantenha o direito de manifestação religiosa dentro dos limites da lei.
Religião não pode ser desculpa para atrocidades, ou estaremos abrindo espaço para uma nova inquisição no mundo.
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Papa ataca projeto que torna ilegal discriminação de homossexuais

Ao anunciar sua primeira visita como Papa ao Reino Unido, Bento XVI fez uma declaração polêmica. Ele atacou o projeto de lei do governo britânico que pode tornar ilegal a discriminação de homossexuais. Segundo o Pontíficie, a medida - chamada de Equality Bill - ameaça a liberdade religiosa e é contrária à "lei natural".

Ao falar para um grupo de bispos católicos que visitou ontem o Vaticano, Bento XVI descreveu as mudanças na lei como "injustas" e pediu um "fervor missionário" para resistir a elas. "O efeito de algumas leis criadas para atingir esses objetivos tem sido impor limites injustos à liberdade das comunidades religiosas para agir de acordo com suas crenças", disse ele, segundo a BBC.

Durante o período em terras britânicas, possivelmente em meados do próximo mês de setembro, o Papa deve enfrentar protestos em função dos comentários feitos ontem. O presidente da National Secular Society, organização que promove a separação entre Estado e Igreja, Terry Sanderson, afirmou que vai procurar todos as minorias que se sintam atingidas pela atual posição do Vaticano.

Já o governo britânico afirmou que as declarações do Papa sugerem que ele reconheceu "o compromisso firme com a igualdade para todos os membros da sociedade" exercido pelo governo britânico. "Acreditamos que todos devem ter chances justos na vida e não sofrer discriminação. A Equality Bill tornará a Grã-Bretanha um país mais justo e igualitário", disse um porta-voz do governo, segundo a BBC.

A Igreja Anglicana britânica mostrou-se preocupada com a legislação, argumentando que seus padres podem se ver forçados a celebrar casamentos nos quais um dos noivos sofreu uma mudança de sexo. Bento XVI anunciou ainda que deve visitar a Grã-Bretanha neste ano, na primeira visita de um papa ao país desde 1982.

Fonte: Terra