17/12/2008

Parada Livre para o quê?

A 12ª Parada Livre de Porto Alegre levanta entre nós, mulheres feministas, o mesmo questionamento de todos os anos: por que motivo, afinal realizamos a “Parada Livre”?
A LBL tem participado das reunião de organização da “Parada Livre”, propondo realizá-la como forma de visibilidade política, às nossas bandeiras de luta e tranformando este evento num dia de protestos que contribua para derrubarmos toda a forma de opressão existente na sociedade moderna.
Entretanto, o evento em si tem resultado numa manifestação machista, onde os corpos são o mote mais importante e onde apresentamos um estilo de vida que está longe de representar a sociedade que queremos.
Esta realidade – regada a carros de som com música tecno e corpos esculturais expostos ao limite, com uma condução de “palco” numa linguagem que pode servir para boates e casas de espetáculo, mas que está longe de atingir a população de curiosos que todo ano enche o evento ou mesmo de minimamente representar a totalidade dos posicionamentos da comunidade LGBT – representa, sem dúvida, uma das facetas da população homossexual, mas deixa de fora, inegavelmente, muitas das “cores do arco-íris”.
Enquanto militantes vemos nossas pautas se esvaziarem, numa proposta que minimiza a luta pela livre expressão sexual e pelo direito ao/s nosso/s corpo/s. Como população engajada na luta pela visibilidade da comunidade LGBTT, não temos acesso às verba do evento, que é direcionada ao público masculino, ao longo de todos esses anos, reforçando o mesmo estereótipo sexista, machista e racista da sociedade que, em fim, queremos transformar.
Lutamos pela construção do “Dia da Visibilidade Lésbica”, como uma forma de marcarmos de forma independente e com o nosso jeito a luta por direitos sexuais e reprodutivos da população feminina. Mas não conseguimos, ainda, realizar o evento em Porto Alegre fora da parada. Somos poucas, desarticuladas, pulverizadas em movimentos mistos onde os “homens” são maioria. As tentativas deste ano de fazer acontecer algo no dia 29/08 (Visibilidade Lésbica) e 13/10 (Rebeldia Lésbica Latino-Americana e Caribenha) resultaram infrutíferas e mais uma vez estávamos na frente da “parada” realizando a II Marcha Lésbica de Porto Alegre.
Precisamos caminhar na organização solidária com o movimento de mulheres, com as feministas, com as rebeldes, com nossas parceiras dos outros movimentos sociais a visibilidade lésbica que queremos, deixando a parada para a “festa” que o resto do movimento espera.
Quem sabe – se conseguirmos fazer isso – possamos lá na frente reunificar nossas caminhadas em bases mais sólidas e solidárias, com respeito real aos anseios de todas as letras que representam nossa sigla, sem a imposição de uns sobres os outros (ou às outras), com respeito a todas as formas e estilos de vivenciar nossa sexualidade.
* publicado nesta página logo após a parada de 2008.

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