29/12/2008

ÍNDIA Cacique em MS

'Minha vitória foi quebra de protocolo', diz primeira índia cacique em MS


A índia terena Enir Bezerra, primeira mulher eleita para a função de cacique em Mato Grosso do Sul, tomou posse do cargo, nesta segunda-feira (22). Ela foi escolhida em votação direta, no dia 30 de novembro, na aldeia urbana Marçal de Souza, em Campo Grande.

Com 53 anos, Enir é uma das fundadoras da aldeia. “Luto pela comunidade desde 1987”, disse a cacique. Ela derrotou outra índia e um pastor evangélico, vencendo com 134 dos 277 votos da aldeia.

Enir sabe que sua posse significa um marco para a aldeia. “Sou a primeira cacique do estado. Existem outras no país, em Brasília e Mato Grosso, mas estou na linha de frente aqui. Sempre quebrei protocolos desde que comecei a lutar pela aldeia. Minha vitória na eleição foi a quebra mais forte”, disse.

Coisa de homem
A cacique também tem consciência das dificuldades que deve encontrar ao longo de seu mandato. “Tem bastante oposição. Muita gente acha que isso é coisa de homem, mas eu ouço o que é bom. O que não presta eu jogo fora. Vou dar prova de que mereço ser cacique pelo meu trabalho”, afirmou Enir.

“Antes, muitos estranhavam uma mulher envolvida nas lutas e discussões sobre a aldeia. Depois de todos esses anos de trabalho, muitas pessoas pedem minha opinião”, afirmou. “Além disso, minha luta é antiga, me sinto preparada”.

Ações - A primeira medida de Enir como cacique será promover a restauração do Memorial da Cultura da aldeia. “O local faz parte da nossa história e é onde muitos de nós vendemos artesanatos e garantimos o sustento da família”.

Ela identifica também outras necessidades na comunidade, que precisam ser supridas com urgência, como saneamento básico, reforma do centro comunitário e a criação de um centro que ofereça cursos para os jovens da aldeia.

Enir deve ocupar o posto de cacique durante os próximos três anos. “Como é algo inédito na aldeia, pedi para que o mandato fosse menor, pois ainda estou aprendendo”, disse. (Fonte: G1)

17/12/2008

Chinaglia cria CPI para investigar aborto clandestino

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, assinou hoje ato de criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o aborto clandestino no Brasil. O pedido de abertura da CPI, com 210 assinaturas, foi encabeçado pelos deputados Luiz Bassuma (PT-BA), Miguel Martini (PHS-MG) e Pastor Manoel Ferreira (PTB-RJ).

Conforme requerimento apresentado à Mesa, a CPI deverá investigar denúncia feita pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em entrevista ao Programa Roda Viva, da TV Cultura, sobre a existência do comércio clandestino de substâncias abortivas e da prática do aborto no Brasil. Na entrevista, concedida em 16 abril de 2007, o ministro afirmou que substâncias abortivas eram vendidas por meio da internet e até por camelôs no Rio de Janeiro.

O prazo de funcionamento da CPI será de 120 dias, prorrogável por até a metade, e o número de membros será de 23 deputados titulares e 23 suplentes. A comissão será instalada depois que os líderes dos partidos indicarem os integrantes.

COMENTÁRIO DA LBL:
Entendemos esta atitude como uma manifestação clara de incompreensão do congresso nacional sobre a questão do aborto e como uma tentativa condenável de tentar criminalizar aquelas que já são vítimas de um sistema absolutamente indefensável.
Precisamos que o sistema de saúde nacional dê pleno atendimento a todas as demandas das mulheres e não aceitaremos esta nova "inquisição" promovida pelos reacionários de plantão. Exigimos uma discussão séria a respeito do tema e defendemos a descriminalização da prática do aborto que, longe de ser algo desejável por qualquer mulher, deve ser entendida como uma questão de saúde pública, que vitimiza centenas de milhares por ano no Brasil.
ABORTO: a mulher decida, o estado garante, a sociedade respeita!

Parada Livre para o quê?

A 12ª Parada Livre de Porto Alegre levanta entre nós, mulheres feministas, o mesmo questionamento de todos os anos: por que motivo, afinal realizamos a “Parada Livre”?
A LBL tem participado das reunião de organização da “Parada Livre”, propondo realizá-la como forma de visibilidade política, às nossas bandeiras de luta e tranformando este evento num dia de protestos que contribua para derrubarmos toda a forma de opressão existente na sociedade moderna.
Entretanto, o evento em si tem resultado numa manifestação machista, onde os corpos são o mote mais importante e onde apresentamos um estilo de vida que está longe de representar a sociedade que queremos.
Esta realidade – regada a carros de som com música tecno e corpos esculturais expostos ao limite, com uma condução de “palco” numa linguagem que pode servir para boates e casas de espetáculo, mas que está longe de atingir a população de curiosos que todo ano enche o evento ou mesmo de minimamente representar a totalidade dos posicionamentos da comunidade LGBT – representa, sem dúvida, uma das facetas da população homossexual, mas deixa de fora, inegavelmente, muitas das “cores do arco-íris”.
Enquanto militantes vemos nossas pautas se esvaziarem, numa proposta que minimiza a luta pela livre expressão sexual e pelo direito ao/s nosso/s corpo/s. Como população engajada na luta pela visibilidade da comunidade LGBTT, não temos acesso às verba do evento, que é direcionada ao público masculino, ao longo de todos esses anos, reforçando o mesmo estereótipo sexista, machista e racista da sociedade que, em fim, queremos transformar.
Lutamos pela construção do “Dia da Visibilidade Lésbica”, como uma forma de marcarmos de forma independente e com o nosso jeito a luta por direitos sexuais e reprodutivos da população feminina. Mas não conseguimos, ainda, realizar o evento em Porto Alegre fora da parada. Somos poucas, desarticuladas, pulverizadas em movimentos mistos onde os “homens” são maioria. As tentativas deste ano de fazer acontecer algo no dia 29/08 (Visibilidade Lésbica) e 13/10 (Rebeldia Lésbica Latino-Americana e Caribenha) resultaram infrutíferas e mais uma vez estávamos na frente da “parada” realizando a II Marcha Lésbica de Porto Alegre.
Precisamos caminhar na organização solidária com o movimento de mulheres, com as feministas, com as rebeldes, com nossas parceiras dos outros movimentos sociais a visibilidade lésbica que queremos, deixando a parada para a “festa” que o resto do movimento espera.
Quem sabe – se conseguirmos fazer isso – possamos lá na frente reunificar nossas caminhadas em bases mais sólidas e solidárias, com respeito real aos anseios de todas as letras que representam nossa sigla, sem a imposição de uns sobres os outros (ou às outras), com respeito a todas as formas e estilos de vivenciar nossa sexualidade.
* publicado nesta página logo após a parada de 2008.

09/12/2008

III Encontro Nacional da LBL

Com o apoio solidário e indispensável do SINTRAJUFE-RS, SEMAPI-RS e FENAJUFE conseguimos garantir a presença de 04 companheiras da LBL-RS no III Encontro Nacional da Liga Brasileira de Lésbicas ocorrido em SP nos dias 05, 06 e 07/12.
Foi um momento importante de organização da Liga onde fizemos o balanço das atividades nos estados e da nossa participação no Conselho Nacional de Saúde e no Conselho Nacional de Direito das Mulheres, além de estabelecermos nossos eixos de formação nacional e nossa agenda prioritária de atividades. Aproveitamos o momento para divulgar esta agenda e os eixos eleitos, a fim de que possamos firmar parcerias para desenvolvê-los em conjunto com os demais representantes da sociedade civil no ano de 2009.Agradecemos o apoio recebido e esperamos estar mais uma vez nas ruas em todos os momentos importantes do próximo ano, construindo o outro mundo possível pelo qual todas lutamos!
Estaremos sempre solidárias, lutando para minimizar ou acabar com toda forma de opressão.

EIXOS (os eixos não estão organizados por prioridade, ocupando TODOS a mesma importância na agenda nacional da LBL):

  • LBL e Feminismos - Que feminismo Queremos
  • LBL e Enfrentamento ao Racismo e a Construção da Identidade Política Negra
  • LBL e Enfrentamento às Violências

AGENDA:

  • JANEIRO: FSM
  • MARÇO: 08/03 - Dia Internacional da Mulher
  • MARÇO: EFLAC (Encontro Feminista Latino Americano e Caribenho)
  • JUNHO: IV ENLBL em SP junto com a 7ª Marcha Lésbicas de SP - Os encontros Regionais deverão acontecer ANTES com discussão dos eixos e aprofundamento no EN
  • JULHO - 25/07 - Dia Latino Americano e Caribenho da Mulher negra
  • AGOSTO: 29/08 - Dia da Visibilidade Lésbica
  • OUTUBRO - 13/10 - Dia Latino Americano e Caribenho da Rebeldia Lésbica
  • NOVEMBRO: 16 dias de ativismo pelo fim da Violência contra as Mulheres

2º SEMESTRE (ainda sem data certa):

  • SENALE - Seminário nacional de Lésbicas
  • ILGA - (Associação Internacional de Gays e Lésbicas, em Inglês)

VEJA AS FOTOS DO ENCONTRO:



13o. Encontro Nacional LGBT

Aconteceu nos dias 28, 29 e 30 de dezembro na cidade de Porto Alegre.
A LBL estava representada por 08 LBLeanas e disputamos as propostas que fortaleciam as bandeiras Lésbicas. Infelizmente essa não foi a tônica de todas as lésbicas presentes ao encontro e, apesar de termos acordado as propostas "por uanimidade" na reunião das Lésbicas, presenciamos várias mulheres que estavam na reunião votando contra aquilo que foi acordado no grupo, virando a casaca a favor das propostas bancadas pela ABGLT que retiravam poder do encontro Nacional LGBT.
Alguns exemplos:- Acordamos por realizar o próximo encontro no ano de 2009, a fim de podermos eleger os representantes da Comissão LGBT (que será eleita ano que vem) no Encontro Nacional - mas venceu (com votos de muitas lésbicas que estavam na reunião) o ano de 2010 para realização do 14o. ENLGBT
- Acordamos (mas fomos traídas) em votar para que o ENLGBT tivesse caráter DELIBERATIVO, tornando-se o principal fórum de deliberação da comunidade LGBT - mas venceu a proposta de que o encontro fosse apenas de "formação e troca de experiências" o que fortalece a posição centralizadora de alguns.
De qualquer forma a LBL esteve marcando essas posições em todos os momentos e participamos ativamente do Encontro tendo representantes das mesas de abertura e encerramento e formando a próxima comissão nacional de organização do 14o. ENLGBT que será realizado em 2010 na cidade do rio de Janeiro.
Até lá compete à LBL continuar organizando mulheres lésbicas para se fazerem fortes e presentes em todos os momentos de luta da comunidade LGBT.

Formação de LGBTs no enfrentamento aos Fundamentalismos Religiosos

Nossa companheira LBLeana Ariane Meireles foi uma das selecionadas para participar neste curso que reúne ativistas de 16 países latinoamericanos e caribenhos (Brasil, México, Guatemala, Colombia, Peru, Chile, Bolívia, Costa Rica, Paraguai, Uruguay, Equador, República Dominicana, Nicaragua, El Savador, Venezuela e Honduras)
Dos 27 selecionados, apenas duas brasileiras (Ariane e uma travesti de Pernambuco) que foram selecionadas para representar o Brasil dentre 47 pré-inscritos.
O curso aconteceu em SP e durou duas semanas. Em breve estaremos publicando textos com alguns dos temas abordados.

MARCHA ZUMBI DOS PALMARES


As bandeiras das Lésbicas Feministas coloriram também a caminhada da Marcha Zumbi dos Palmares que aconteceu em Porto Alegre nesta quinta-feira, 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra.
Exigindo reparação imediata, inclusão em todos os espaços e tolerância religiosa, gritamos contra o RACISMO, o SEXISMO, o MAXISMO e contra a LESBOFOBIA!

II Marcha Lésbica de Porto Alegre - 2008

ACONTECEU!!!!Com a participação de MUITA gente, aconteceu no domingo (16/11) a 12a. Parada de Porto Alegre e a II MARCHA LÉSBICA DE POA.

Agradecemos a toda comunidade pela participação e às companheiras feministas de outros movimentos pela solidariedade e por estarem conosco naquele importante momento.
Olhem as fotos da MARCHA no final do BLOG!